IPCA-15 registra alta e reforça cenário benigno

Os indicadores de crédito e o resultado do balanço de pagamentos, ambos divulgados pelo Banco Central, além do IPCA-15 de agosto (IBGE), foram os principais eventos desta semana.

No campo da inflação, o IPCA-15 (prévia oficial da inflação do mês) de agosto registrou alta de 0,35% m/m, abaixo da inflação registrada no mesmo período do ano anterior (0,45% m/m), reforçando o cenário benigno de inflação para o ano como um todo. As fortes pressões altistas vindas dos preços regulados, especificamente energia elétrica (4,27% m/m) e combustíveis (5,96% m/m), foram parcialmente compensadas pela boa leitura no segmento de preços livres, especialmente por conta da deflação na alimentação (-0,65% m/m). No caso dos combustíveis, o aumento dos preços foi claramente influenciado pelo aumento dos impostos PIS/Cofins, enquanto que a inflação verificada em energia elétrica foi explicada pela mudança da bandeira tarifária, de amarela para a vermelha (no caso ficando mais cara).

Tratando do mercado de crédito, os dados de julho indicaram que o crédito para pessoas físicas continuou apresentando melhora, por outro lado, no caso das empresas, uma situação contrária foi registrada. As taxas de inadimplência aumentaram para as pessoas jurídicas e diminuíram para pessoas físicas, ao passo que os “spreads” (a diferença entre o custo do dinheiro para o banco, ou seja, o quanto ele paga ao tomar empréstimo, e o quanto ele cobra para o consumidor na operação de crédito) avançaram, tornando o custo do crédito mais elevado. O resultado de julho indica que uma recuperação econômica está a caminho, mas deve ser lenta, com vários altos e baixos ainda por vir.

Em relação ao setor externo, o balanço de pagamentos de julho registrou déficit de US$3,4 bilhões na conta corrente, diminuindo o déficit acumulado em 12 meses para US$13,8 bilhões (0,71% do PIB), contra US$14,3 (0,76% do PIB) em junho. Para o restante do ano, esperamos que a conta corrente continue melhorando em relação ao ano anterior, em função, principalmente, dos surpreendentes superávits que vêm sendo registrados na balança comercial.

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