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Ata do Copom indica corte de 75 pontos-base em Julho

A ata do Copom foi um pouco menos definitiva sobre a intenção de cortar a taxa Selic em 75 pontos-base na próxima reunião do que havia sido o comunicado da semana passada. O comunicado havia sido atipicamente direto nesse sentido, falando de uma “redução moderada” no ritmo dos cortes (geralmente compreendido como um corte em 25 pontos-base menor do que o anterior). Na ata, o relato do debate do comitê sobre se deveria ou não telegrafar antecipadamente seus planos para julho introduziu uma certa dose de nuance na comunicação. Em primeiro lugar, houve membros argumentando contra tal sinalização – tendo em vista a incerteza reinante – e cujo compromisso com o sinal emitido tende, portanto, a ser mais baixo. Em segundo, os que argumentaram a favor de tal sinalização desejavam “reduzir a incerteza (e o escopo de possibilidades) sobre a trajetória futura da política monetária” – linguagem que não sugere o corte de 75 pontos-base como a única possibilidade.

O Copom continuou a enfatizar o grau extraordinário de incerteza em torno do cenário macroeconômico e, portanto, a natureza condicional de uma sinalização antecipada sobre a decisão de julho, que continuará dependendo da evolução da atividade econômica, das expectativas (de mercado) e das projeções (do Banco Central) para a inflação, assim como das estimativas de extensão do ciclo de relaxamento monetário. No caso das estimativas de extensão do ciclo, vale notar que a última revisão foi, mesmo que levemente, na direção hawkish, já que as estimavas do Copom para o IPCA de 2018 passaram a apontar para uma inflação 4,6% (acima da meta central de 4,5%) tomando como pressuposto que a taxa Selic caia conforme esperado pelo consenso de mercado (atingindo 8,5%).

No que diz respeito à avaliação do choque recente, a ata repete os pontos expressados publicamente, antes da reunião, pelo presidente Ilan Goldfajn: que a ancoragem da inflação e das expectativas de inflação tende a mitigar a propagação de “choques de preços relativos” como a depreciação cambial, e que, de qualquer maneira, a resposta convencional a tais choques é acomodar seus efeitos de primeira ordem e combater apenas os de segunda ordem. A autoridade monetária sabiamente evitou declarar-se apostadora na tese de que o efeito líquido da deterioração política será desinflacionário, com o impacto negativo na atividade econômica dominando vetores inflacionários como a depreciação cambial. Por mais plausível que essa visão possa soar quando manifestada por analistas privados, vindo do Banco Central ela daria a impressão de se estar jogando com a sorte em detrimento de uma gestão de risco prudente num regime de metas de inflação. De todo modo, a ata trouxe sim as primeiras alusões explícitas do Copom ao vetor desinflacionário de uma atividade econômica mais fraca.

Em suma, embora a ata seja menos contundente do que o comunicado pós-reunião a respeito da próxima decisão do Copom, continuamos acreditando que um corte de 75-pontos base é a hipótese largamente dominante para a reunião de julho. Estamos mantendo também o nosso call de uma Selic terminal em 8,5% no fim deste ciclo de cortes, a ser atingida mediante dois cortes de 50 pontos-base, em setembro e outubro, em seguida aos 75 pontos base projetados para julho.

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