Giro Semanal – Brasil, Mundo e Performance dos Mercados

Brasil

Crise política pode atrasar a recuperação do mercado de crédito

O Banco Central continua apontando uma recuperação moderada do mercado de crédito do Brasil, refletindo aumento do saldo de empréstimos para pessoas físicas e estabilidade para as empresas não financeiras. No segmento livre, o fluxo de novos empréstimos (que é bastante volátil) diminuiu, mas o quadro geral é ainda de queda para as empresas e recuperação para as famílias. De fato, após um grande ajuste de balanço (um processo que ainda está em andamento), parece que as famílias estão mais confortáveis que as firmas em retornar ao mercado de crédito. Embora os saldos e os fluxos de empréstimos tenham trazido poucas notícias relevantes sobre a dinâmica do crédito, o destaque em abril ficou com a queda das taxas de juros: favorecidas pelo ciclo de afrouxamento monetário e, provavelmente, ainda mais pela política do BCB de reduzir as taxas do crédito rotativo, as taxas de juros e spreads caíram fortemente para as famílias. A recente deterioração do cenário político brasileiro atua no sentido de retardar a recuperação do crédito no país, com aumento da taxa de juros de mercado, das incertezas e da volatilidade dos preços dos ativos.

Balança de Pagamentos – Abaixo das expectativas, porém melhorando

De acordo com o Banco Central, o Brasil acumulou um superávit em conta corrente de US$1,2 bilhão em abril, abaixo de nossa previsão de US$1,8 bilhões, e de acordo com o consenso do mercado. O déficit da conta corrente para o período de 12 meses, encerrando em abril, atingiu US$19,8 bilhões (1,06% do PIB), ante déficit de US$20,6 bilhões em março (1,2% do PIB). Na conta financeira, as entradas líquidas ultrapassaram as saídas líquidas em US$12,8 bilhões (ante US $14,6 bilhões em março) nos últimos 12 meses. As principais fontes de financiamento na balança de pagamentos (investimentos diretos e emissões líquidas), registraram entrada líquida de US $8,4 bilhões em abril, superando os US$5,2 bilhões de março. Esperamos que a conta corrente de 2017 melhore em relação ao ano anterior, com os resultados mais fortes na balança comercial este ano, e apesar dos piores resultados nas linhas de serviços e rendas. No próximo ano, esperamos que a conta corrente se deteriore com o menor saldo da balança comercial e com a contínua deterioração das linhas de serviços e rendas, sem que isso represente um problema para o balanço de pagamentos em termos de necessidades de financiamento.

Mundo

Zona do euro: Economia europeia segue em bom momento

A média trimestral do Índice dos Gerentes de Compras (PMI) de maio indica uma provável manutenção do crescimento no segundo trimestre em relação ao primeiro, em 0,5% por trimestre. Houve um forte avanço da indústria em relação ao mês de abril, que acabou sendo compensado pela pequena desaceleração do setor de serviços. Novos pedidos de emprego foram o principal destaque, mesmo com o componente de preços ficando de lado. Assim, este cenário possibilita o BCE (Banco Central Europeu) a continuar esboçando sua política monetária, uma vez que a economia da zona do euro segue crescendo firmemente sem pressões inflacionárias.

EUA: Especulação de possível alta de juros

Na ata de reunião realizada em abril do Federal Reserve (Fed), os membros do Fomc (Federal Open Market Committee) sinalizaram que caso os indicadores econômicos viessem em linha com suas expectativas, haveria espaço para um novo aumento de juros para a reunião de junho. Alguns membros do Fomc, no entanto, julgaram que era prudente aguardar evidências adicionais antes de um novo passo na política monetária ser tomado, enquanto os riscos do cenário global recuam e se tenha maior clareza sobre a política fiscal e outras medidas do governo Trump. Os participantes do Fed também concordaram com detalhes do procedimento para acabar com a política de reinvestimento do balanço (do Fed), sugerindo que o anúncio deve ocorrer ainda neste ano. O fim da política de reinvestimento é consistente com redução gradual do balanço do Fed.

Performance dos Mercados

O principal índice da Bovespa mostrou recuperação depois do cenário da semana anterior, fechando aos 64.085,41 pontos. Com destaques para a queda da JBS (-6.09%) e alta dos bancos Itaú e Bradesco, 2.71% e 2.31% respectivamente. A bolsa teve uma semana de volatilidade, porém com bastante cautela ainda por parte dos investidores quanto aos desdobramentos do cenário político brasileiro.

No mercado de juros, a LTN com vencimento em julho fechou de 10,80% para 10,37% ao ano, a curva de juros longa com vencimento em 2020, passou de 11,28% para 10,31% ao ano.

O dólar americano medido pela Ptax ficou praticamente estável fechando a semana em 3.26 com leve baixa de 0.76%

O preço futuro (WTI) do petróleo apresentou desvalorização de 0,91% e fechou a semana em US$ 49,87. Com desestabilidade na OPEP e preocupações em manter as políticas de cortes, a referência do petróleo não superou a barreira dos 50 dólares no fechamento da semana.

JUROSFechamentoSEMANAMÊSANO12M24M
CDI-0.17%0.80%4.68%13.46%29.17%
Poupança--0.56%2.37%8.06%17.06%
IMA-B---1.66%4.78%16.59%36.72%
IRFM---0.49%5.95%17.62%36.41%
BOLSAFechamentoSEMANAMÊSANO12M24M
Ibovespa64,085.412.31%-2.01%6.41%29.51%17.35%
S&P 500*2,415.821.43%1.33%7.91%15.56%13.63%
MOEDASFechamentoSEMANAMÊSANO12M24M
Dólar / Real3.2614-0.76%2.81%-0.35%-9.01%5.29%
Euro / Real3.6454-0.01%5.31%6.51%-8.81%7.24%

Fonte: BR Investing

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