Existe um livro chamado “The Paradox of Choice” (ou “Paradoxo da Escolha”) que faz uma classificação das pessoas. A obra aborda como tomar boas decisões, de forma geral. Ela também trata de assuntos sobre economia comportamental e não se restringe aos sistemas financeiros.

O livro foi escrito por Barry Schwartz, psicólogo americano e professor na Universidade da Califórnia. Nele, o autor aborda todos os temas que envolvem a tomada de decisão — mesmo as mais simples, como escolher uma marca de algum produto no mercado.

Para isso, o autor classifica as pessoas em dois grupos: os “maximizers” e os “satisficers”. Ao conhecer os diferentes perfis de tomada de decisão, é possível analisar como você age na vida — e, em especial, na hora de investir.

Neste artigo, abordarei os conceitos trabalhados no livro “Paradoxo da Escolha” e mostrarei como isso pode afetar os seus investimentos. Vamos lá?

Quem são os chamados maximizers?

Os maximizers seriam os maximizadores. Nesse grupo, estão as pessoas perfeccionistas e que sempre tentam tomar a melhor decisão possível. Elas gostam de analisar todas as opções disponíveis para garantir que aquela decisão foi a melhor que poderiam ter tomado no momento.

Se uma pessoa maximizer for comprar uma camisa em um shopping, por exemplo, ela não entra na primeira loja, prova a camisa e compra se gostar de como a roupa ficou no seu corpo. O motivo para isso é que ela pode descobrir, depois de um tempo, que na loja seguinte tem uma camisa melhor.

Na verdade, a pessoa que tem esse perfil só aceita a melhor de todas as possibilidades. Contudo, ter essa forma de pensar e agir pode não ser sempre positivo. Há também um lado negativo.

A parte boa é que esse indivíduo está sempre buscando o melhor para si. Por outro lado, a atitude é desgastante e gera um trabalho maior do que poderia ser necessário para saber como tomar boas decisões. Além disso, raramente a pessoa sente-se feliz com as decisões tomadas. Afinal, é possível que ela sempre ache que a escolha feita poderia ter sido melhor.

Outro ponto negativo do grupo maximizer é que, por ser trabalhosa, a tomada de decisão costuma despender muita energia. Com isso, pessoas com características maximizers podem levar bastante tempo para chegar a uma escolha — que, no final, pode nem ser considerada a ideal por ela.

Quem são os chamados satisficers?

Como você viu, o livro também fala sobre o grupo dos satisficers. O termo não tem tradução certa para o português, mas pode ser entendido como uma junção de suficiente com satisfeito. Esse tipo de pessoa define os próprios parâmetros de decisão.

Isso não significa que esses indivíduos buscam a mediocridade. Pelo contrário, os critérios estabelecidos por eles podem até mesmo ser bem rigorosos. Mas, a partir do momento em que encontram algum produto ou serviço que atenda aos parâmetros definidos, eles fecham o negócio.

Nesse sentido, não há a necessidade de pesquisas demasiadamente longas. No exemplo da compra da camisa, a pessoa poderia se sentir satisfeita ao encontrar o produto que deseja na primeira ou segunda loja. Assim, realizaria a compra e não buscaria mais por opções melhores.

Com isso, no perfil satisficer geralmente não existe a preocupação de que poderiam ter tomado uma decisão ainda melhor. É comum que a pessoa considere que chegou ao resultado satisfatório, já que tinha clareza sobre seus próprios critérios.

Como o livro analisa os dois perfis?

Barry Schwarts, autor da obra, mostra alguns estudos que indicam que os maximizers estão mais susceptíveis ao sentimento de arrependimento. Afinal, eles estão sempre se questionando se aquela foi a melhor decisão que eles poderiam ter tomado.

Já o grupo dos satisficers não tem esse tipo de preocupação. Então, no fim das contas, o livro fala que uma conduta satisficer pode ser chamada de “good enough”. Ou seja, “boa o bastante” na hora de aprender como tomar boas decisões.

Afinal, se a escolha foi feita com base nos parâmetros que o indivíduo definiu, ótimo. Isso é o suficiente, e os satisficers não buscam o melhor do melhor. Enquanto isso, os maximizers, como você viu, não se contentam até tomar a melhor decisão possível. Para isso, eles pesquisam bastante.

No livro, Barry mostra que os satisficers podem ter uma relação com as decisões mais leve e agradável. Isso faz com que eles sejam mais felizes e se contentem mais com as escolhas, uma vez que não ficam pensando se vão se arrepender ou não.

Como isso afeta os investimentos?

Agora que você conhece os dois grupos definidos por Barry Schwarts em seu livro sobre o paradoxo da escolha, pode entender como os perfis afetam os investimentos. Todo investidor deveria se preocupar em identificar se ele tem tendência a ser maximizer ou satisficer nas suas decisões.

Ao saber em qual grupo você se encaixa, é possível ter uma ideia do quanto de trabalho a mais você deverá ter no momento de investir, por exemplo. Nesse sentido, é importante ter atenção, pois não há garantia de que esse trabalho extra gerará resultados positivos.

Logo, o tempo e energia gastos a mais não garantem que você não terá sentimentos de arrependimento. Em especial, se o seu perfil for maximizer. Nesse caso, será necessário fazer muito mais análises para tomar uma decisão com relação às escolhas dos ativos que farão parte da sua carteira.

Já se o seu perfil for satisficer, a tendência é que você fique feliz porque tomou uma decisão em um tempo razoavelmente menor. Contudo, não deve ser qualquer escolha, sem qualidade. Para otimizar o processo, é importante definir seus critérios e seus objetivos e basear suas análises neles.

Em relação aos dois perfis, vale destacar que é comum que as pessoas sejam uma mistura de ambos. Elas podem tender para um estilo em alguns tipos de decisão e para outro em alguns casos. Para investir em renda variável, por exemplo, eu posso ser maximizer, mas, para renda fixa, ser satisficer.

Conclusão

Gostou de conhecer mais sobre os perfis do livro de Barry Schwartz? Eles podem ajudar a saber como tomar boas decisões na hora de investir de acordo com a forma como você costuma agir. Com autoconhecimento, fica muito mais fácil fazer boas escolhas e respeitar a sua forma de pensar!

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André Bona:

Com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, ensinando milhares de pessoas a investirem melhor, Bona é professor, palestrante e parceiro de conteúdo do BTG Pactual digital.

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