Conheça 3 maneiras de avaliar um fundo de investimento

Quando investimos nosso dinheiro nos fundos disponíveis no mercado, sempre surge a pergunta: qual é o melhor fundo e como podemos diferenciar quais são realmente bem geridos?

Normalmente olhamos para o retorno do fundo contra algum índice, o quanto se paga de taxa de administração e performance, qual o prazo de resgate e etc, mas é comum deixarmos de lado alguns fatores igualmente importantes, como por exemplo o risco associado ao se aplicar em um fundo de investimento. Existem algumas métricas para analisar se o retorno do fundo foi realmente consistente ou se o gestor chegou àquele resultado devido uma maior assunção de risco. Nesse post vamos falar sobre três métricas diferentes de análise que o investidor poderá utilizar para facilitar sua escolha pelos melhores fundos.

Índice Treynor

 

Criada por Jack L. Treynor, essa foi a primeira medida de performance a incluir a variável de risco. O objetivo desse indicador é analisar a performance do portfólio independentemente da preferência de risco do indivíduo, motivo pelo qual se usa o Beta no denominador da fórmula. O numerador representa o prêmio de risco que o investidor está ganhando naquele portfólio, que é o retorno do portfólio menos a taxa livre de risco. Já o denominador, como falado anteriormente, representa o risco do portfólio.

Para ajudá-lo a entender melhor, vamos ao exemplo abaixo:

Supondo que a taxa Selic esteja em 9,25% ao ano (ela será nossa taxa livre de risco), e os retornos e os betas para os fundos sejam os abaixo, como podemos escolher o melhor fundo?

Dados dos fundos teóricos e o índice de Treynor

(% | % | index)

 

O investidor deve sempre escolher o fundo com maior índice de Treynor, nesse caso o fundo A. Desse jeito maximizará a performance do portfólio proporcionalmente ao seu risco sistêmico.

Índice de Sharpe

 

O índice de Sharpe é similar ao índice de Treynor, com a única diferença ficando por conta do denominador da equação. No caso do Treynor é utilizado o Beta, no caso do índice de Sharpe utilizamos o desvio padrão. O desvio padrão, além de contemplar o Beta (risco sistemático), também inclui o risco não sistemático, sendo assim representa o risco total do investimento. O índice de Sharpe analisa o portfólio tanto quanto ao seu retorno quanto ao risco associado à capacidade de diversificação do fundo. Seguindo o mesmo exemplo do índice de Treynor, se formos analisar o índice de Sharpe temos os valores abaixo:

Dados dos fundos teóricos e o índice de Sharpe

(% | % | index)

 

Olhando para o índice devemos escolher o fundo B, pois apresenta o maior índice.

Temos aqui uma diferença entre as escolhas: usando Treynor escolhemos o fundo A, enquanto que usando Sharpe escolhemos o fundo B. A divergência é explicada pela diversificação do fundo, provavelmente o fundo B tem uma diversificação mais eficiente do que o fundo A, diminuindo o risco não sistêmico numa proporção maior que no A.

Índice Roy Safety-first

O índice Roy’s safety-first é muito similar ao índice de Sharpe, porém ao invés da taxa livre de risco o investidor utiliza o retorno alvo. Para realizar a análise, o investidor deverá especificar o seu retorno esperado e subtrai-lo do retorno do portfólio, o resultado deverá ser dividido pelo desvio padrão do portfólio. Esse tipo de análise é utilizado por investidores que necessitam de uma taxa mínima de retorno.

 

Exemplificando, se o investidor necessita de uma taxa de retorno mínimo de 8% ao ano, ele utilizará essa taxa para o cálculo do Roy Safety-first. Supondo que o fundo tenha retorno esperado de 10% e desvio padrão de 5%:

 

Igual aos índices Treynor e Sharp, quanto maior o índice melhor será para o investidor.

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  1. Bom dia.
    Muito interessante, mas como tenho acesso ao Beta de cada fundo, para fazer os cálculos comparativos?
    Obrigado.