Conheça tipos de investimentos em renda fixa e variável

Você está começando a aplicar seu dinheiro e quer informações confiáveis sobre os principais tipos de investimentos em renda fixa e variável disponíveis no Brasil? Então, chegou ao lugar certo.

Neste artigo, vamos entender diferentes produtos do mercado financeiro e daremos algumas dicas de como você pode analisar cada um deles e escolher aqueles que mais se adequem ao seu perfil.

Você vai aprender mais sobre:

  • Como funcionam os fundos de investimento
  • Rendimentos e características dos títulos públicos
  • Como começar a investir ações
  • Sugestões de CDBs e LCIs/LCAs para seu portfólio
  • O que são debêntures
  • Quais são os riscos de um COE

Ficou interessado? Então, siga a leitura.

Fundos de Investimento

Os fundos de investimento recebem recursos, convertem em cotas e aplicam, através de um gestor, em diversas aplicações. São opção interessante para quem não quer ter que assumir todas as decisões de alocação das divisas.

Nos fundos, o investidor deixa seu dinheiro a cargo de um gestor, que vai decidir onde aplicar o dinheiro, seja em renda fixa ou variável, com atuação limitada pela configuração prevista no regulamento e em sua classificação.

Os fundos são constituídos como condomínios, com meta de rendimento normalmente atrelada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

Em alguns tipos de fundos, como multimercados, quando o investimento atinge e ultrapassa esse benchmark, o gestor pode cobrar uma taxa de performance (leia o regulamento dos fundos para saber se o fundo em que você quer investir cobra essa taxa).

Há vários tipos de fundos de investimentos e eles podem ser classificados em 3 níveis. O Nível 1, a classificação mais geral, separa os fundos em de renda fixa, ações, cambial e multimercado.

Cada um investe conforme regras determinadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com a definição de limites mínimos e máximos para aplicação em certos ativos e derivativos.

Conheça os tipos de fundos de investimentos segregados conforme o Nível 1:

Renda Fixa

Os fundos de renda fixa aplicam prioritariamente em ativos de renda fixa, com estratégias que impliquem risco de juros e de índice de preços.

Não investem em estratégias com exposição em ações e outras alternativas de renda variável. São aplicações sem a volatilidade de fundos de ações e multimercados.

Ações

Os fundos de ações aplicam em ativos de renda variável, como ações à vista, bônus ou recibos de subscrição, certificados de depósito de ações.

Devem ter, pelo menos, 67% do portfólio nesses investimentos.

Neles, o gestor escolhe os papéis e pode ser premiado com uma taxa de performance, caso a meta seja atingida e ultrapassada (para saber se um fundo tem essa taxa, leia seu regulamento).

Cambiais

Fundos cambiais têm aplicações com um mínimo de 80% da carteira em ativos (de qualquer risco de crédito) relacionados de forma direta ou sintetizada, via derivativos, a moedas estrangeiras.

Pode ser um caminho para quem possui contratos em dólar, por exemplo, para proteção.

Multimercados

Fundos multimercados possuem estratégias amplas, complexas e dinâmicas, sem restrições específicas de limitação em determinados tipos de ativos.

Possuem políticas de investimento que envolvem vários fatores de risco, sem compromisso de concentração em nenhum fator em especial. É possível que esses fundos também cobrem taxa de performance caso atinjam seu benchmark (leia sempre o regulamento dos fundos para saber se cobram ou não essa taxa).

Títulos Públicos

Os títulos públicos constituem a Dívida Pública Mobiliária Federal Interna. Eles são emitidos pelo Tesouro Nacional para bancar as atividades do governo. Quem compra esses ativos adquire fatias da dívida brasileira, com o menor risco de crédito possível no mercado financeiro nacional.

Esses títulos são ativos de renda fixa, ou seja, possuem rendimento projetável na hora do investimento.

A rentabilidade pode ser prefixada (com juros anuais pré-definidos), atrelada à variação da Selic (taxa de juros básicos da economia brasileira) ou atrelado ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que é a inflação oficial do país).

O retorno do investimento ocorre no vencimento do título ou na negociação antecipada do título.

Ao vender um desses títulos antes do vencimento, é importante lembrar que os papéis atrelados à inflação e prefixados sofrem a marcação a mercado, isto é, apresentam volatilidade para a negociação antecipada.

Existe uma parceria entre o Tesouro Nacional e a BM&F Bovespa para a oferta desses títulos públicos para pessoas físicas de forma acessível, com investimento mínimo baixo, de aproximadamente R$ 30,00, e a garantia de recompra a qualquer momento antes do vencimento pelo Banco Central.

O risco desses papéis é bastante reduzido, afinal eles são bancados pelo Governo Federal, que garante o retorno prometido pelos títulos do Tesouro Direto.

Como os títulos públicos são garantidos pelo Tesouro Nacional, a segurança desse investimento é considerada a mais alta possível.

Antes de optar por essa aplicação, porém, é importante lembrar os custos.

Há uma taxa de custódia cobrada pela BM&F Bovespa sobre o valor total, de 0,3% ao ano. Além dela, algumas corretoras e alguns bancos cobram uma taxa adicional de administração, embora essa prática esteja caindo em desuso.

Acerca da tributação, é essencial mencionar dois impostos. Em caso de aplicação inferior a 30 dias, há incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que segue uma tabela de 96% a 0%, de acordo com o tempo.

Desse tributo, é possível desviar, desde que você segure o investimento por mais de um mês. Mas, do Imposto de Renda, não dá para fugir: o investidor paga de 22,5% (para menos de 180 dias) a 15% (para mais de 720 dias) do rendimento.

Tipos de títulos públicos

Existem três tipos de títulos públicos, de acordo com sua rentabilidade: a prefixada, a vinculada ao IPCA e a atrelada à taxa Selic.

Confira os rendimentos oferecidos:

Tesouro IPCA+ (NTNB Princ)

O rendimento do Tesouro IPCA + (NTNB Princ) é de um percentual de juros ao ano mais a variação do IPCA do período. A remuneração e o desconto do Imposto de Renda se dão apenas no vencimento do título.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTNB)

O rendimento do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais também traz um juro anual mais a variação do IPCA do período. A diferença reside na forma de remuneração, com pagamentos a cada semestre (com recolhimento de Imposto de Renda a cada pagamento).

Tesouro Prefixado

O rendimento desse tipo de título é predefinido. Apresenta volatilidade ao longo da aplicação e se valoriza ou desvaloriza conforme as projeções da economia.

Tesouro Selic

O rendimento é vinculado à Selic, a taxa de juros básicos da economia. Uma elevação da Selic aumenta a rentabilidade, e uma redução compromete o retorno.

LCI e LCA

LCI e LCA são a Letra de Crédito Imobiliário e a Letra de Crédito do Agronegócio. Elas têm características muito semelhantes entre si. A principal característica que chama atenção do investidor é a isenção do Imposto de Renda.

Confira as principais características desses investimentos:

  • O valor mínimo, o prazo, a liquidez e a rentabilidade dependem do título específico
  • Têm isenção total do Imposto de Renda
  • Contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito, nos mesmos moldes do CDB e da poupança, com proteção até o limite de R$ 250 mil por CPF por instituição financeira em caso de quebra do banco ou corretora que emite o título
  • Não há taxas de administração, performance ou custódia
  • Rendimento costuma ser prefixado ou pós-fixado.

Debêntures

Debêntures são ativos de dívidas de empresas que oferecem direito de crédito. O rendimento se dá com juros prefixados ou pós-fixados.

É uma aplicação com rentabilidade potencialmente superior a muitos outros investimentos de renda fixa, já que tem risco maior.

Com um título como esse, você empresta dinheiro para empresas.

Por isso, o risco maior é recompensado com juros mais elevados.

Não há proteção do Fundo Garantidor de Crédito, aquele mecanismo que banca o investimento em poupança, LCI/LCA, CDB, entre outros.

O tipo de rendimento, as taxas, o vencimento, o investimento mínimo e as garantias dependem do papel específicos e devem ser averiguados com atenção e cautela antes da aplicação.

Esses dados constam na escritura de emissão, que pode definir até onde serão aplicados os recursos advindos das debêntures.

Nessa escritura, também estão outros detalhes do título, como possibilidade de conversão em ações, participação nos lucros, garantias, entre outros.

CDB e RDB

CDB e RDB são o Certificado de Depósito Bancário e o Recibo de Depósito Bancário. Esses são nomes de dois títulos de baixo risco emitidos por bancos ou corretoras, que oferecem retornos pós-fixados ou prefixados.

Trata-se de opções tanto para investidores iniciantes quanto para os mais experientes.

Como têm Imposto de Renda, que segue a tabela da renda fixa (22,5% a 15%, de acordo com o tempo, de menos de 180 dias a mais de 720 dias), são mais indicados para médio e longo prazo.

Por outro lado, quem busca um investimento de curto prazo deve tomar cuidado com o vencimento do título, o prazo de carência e a tributação. Algumas instituições apresentam CDBs de liquidez diária, mas que podem não ter uma remuneração interessante quando comparada àqueles de menor liquidez.

A principal diferença entre CDB e RDB é que o primeiro pode ser negociado antes do vencimento, dependendo da instituição financeira (procure saber se essa possibilidade existe antes de aplicar para evitar alguma surpresa), e o segundo precisa ser carregado até o fim (ou seja, pessoal e intransferível).

Outra diferença são as instituições que podem emiti-los.

Conforme o Banco Central, podem emitir CDB os bancos comerciais, múltiplos, de investimento, de desenvolvimento e a Caixa Econômica Federal.

Na lista de emissores de RDB, além desses citados, estão as sociedades de crédito, financiamento e as cooperativas de crédito a seus associados.

COE

O COE (Certificado de Operações Estruturadas) é um investimento que mistura renda fixa e variável. Pode ser uma opção para quem quer a diversificação de portfólio e estruturação de operações com derivativos, sem precisar criar sua própria posição por conta própria.

Regulamentado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) do Banco Central em 2013 e pela CVM em 2015, esse instrumento é uma adaptação brasileira das Notas Estruturas, bastante populares nos Estados Unidos e na Europa.

Há duas formas de investimento com COEs, uma com o capital nominal protegido (garantia da devolução do valor inicialmente aplicado sem a correção financeira) e outra com o capital em risco (sem essa garantia).

Com a caminhada atual de redução de juros, esses títulos apresentam, em muitos casos, possibilidades de rendimentos superiores à renda fixa tradicional.

Uma vantagem na comparação com fundos de investimentos (que também possibilitam diversificação e instrumentos complexos) é que os COEs trazem a cobrança de Imposto de Renda apenas no resgate, de 22,5% a 15% da valorização do período.

Além de livrarem o investidor do come-cotas (antecipação do Imposto de Renda a cada semestre), os Certificados de Operações Estruturadas não cobram taxas de administração, custódia ou performance.

Quer um exemplo dessa aplicação? Pense em investimento que tenha um objetivo, como superar o Ibovespa ou proteger contra a inflação. Nessa perseguição da meta, o emissor estabelece uma estratégia que pode envolver ativos e derivativos em renda fixa e variável.

Um COE pode apresentar premissas baseadas no dólar, conforme o produto hipotético abaixo:

  • Se o dólar se desvalorizasse na comparação com o real, você receberia o capital inicial de volta
  • Se o dólar se elevasse até 15%, você receberia o rendimento proporcional
  • Se o dólar disparasse mais de 15%, você ganharia uma valorização máxima de 15%.

Ações

Antes de investir em ações, é importante entender o que elas são. Elas representam pequenos pedaços de uma empresa.

Ao investir em uma ação, você está comprando uma parcela do capital social de uma companhia com capital aberto. Você acaba se tornando sócio dela: se a empresa se valorizar, você ganha mais.

Esse investimento oferece um potencial maior de perdas e ganhos, pois se trata da chamada renda variável.

Ao investir em renda variável, você não consegue projetar o seu rendimento no momento do investimento.

Por isso, a sugestão, principalmente para investidores iniciantes, é a de investir em ações apenas no longo prazo, período superior a cinco anos, dedicando uma pequena parte do seu portfólio, como alto em torno de 5 a 10%, priorizando fundos de ações e a índices, como o Ibovespa.

Poupança

A poupança é o investimento mais popular do Brasil. Mas isso não quer dizer que seja o melhor produto!

O rendimento é pequeno e bate de frente com a inflação.

Em 2015, o investidor da caderneta perdeu 2,28% de seu poder de compra. Em 2016, o ganho real, depois da inflação, ficou em 1,9% no ano.

Ou seja, em dois anos, o seu dinheiro ficaria praticamente estagnado.

Parece (e é) pouco. E não há cenário no horizonte que projete boas perspectivas, mesmo com a inflação sob controle.

O cálculo de valorização pode mudar em breve, já que é definido com base na Taxa Selic, que dita os juros básicos da economia.

Quando a meta da Selic está maior do que 8,5% (em julho/17, foi definida em 9,25%), o rendimento é de 0,5% ao mês mais a variação da Taxa Referencial.

Quando a Selic está em 8,5% ou menos, a poupança rende 70% da Selic.

Com essas rentabilidades, não há cenário em que a poupança se transforme em aliada de suas finanças.

Renda Fixa x Variável

No Brasil, a ampla maioria dos brasileiros prefere concentrar seus investimentos em renda fixa, já que a Taxa Selic (juros básicos da economia) é alta o suficiente para oferecer algum retorno com baixo risco.

Mas, especialmente para quem investe no longo prazo, a renda variável apresenta oportunidades possivelmente mais interessantes.

Se você está pensando em dar seus primeiros passos na bolsa de valores, sugerimos que comece com uma fatia pequena do seu portfólio de investimentos, como 5% ou 10%, e privilegie o investimento no índice Ibovespa ou um fundo de ações, até adquirir conhecimento o suficiente para alocar seus recursos em variados papéis de empresa.

Conclusão

Neste artigo, você teve a oportunidade de mergulhar de cabeça nos principais tipos de investimentos disponíveis no Brasil, tanto em renda fixa quanto em renda variável.

Mas lembre-se que esse apanhado geral de informações é apenas um primeiro passo na sua jornada de conhecimento em investimento.

Para tomar as melhores decisões para o seu dinheiro, você deve estudar sobre o assunto e dedicar algumas horas do mês para acompanhar o noticiário econômico e entender, com cada vez maior clareza, o que significam todas as siglas mencionadas em posts como este.

E nessa jornada, você pode confiar no BTG Pactual digital, um banco de investimentos que poderá te oferecer uma ótima assistência para sua tomada de decisões.

Por aqui, você conta com um time completo de especialistas que vão auxiliá-lo a escolher as aplicações mais adequadas ao seu perfil de investidor.

Ficou com alguma dúvida sobre os tipos de investimentos apresentados? Comente.

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Deixe seu comentário 1

  1. Otima matéria.
    Se possivel, façam uma explicando mais sobre os indices pibb11, small11 e bova11.

    desde já agradeço.