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Fundos de Investimento: como funcionam e como investir

Pensando em aplicar em fundos de investimento? Então, você chegou ao lugar certo. Neste artigo, abordaremos os tipos de fundos, explicações de como calcular seu rendimento, como ocorre a tributação e quais são as taxas cobradas pela corretora ou pelo banco de investimentos.

Tire suas dúvidas, como:

  • Quais são os tipos de fundos de investimento
  • Como aplicar em um fundo
  • O que é o come-cotas
  • Qual é a tabela de Imposto de Renda dos fundos
  • Vantagens e desvantagens dos fundos
  • O que são cotas

O que são fundos de investimento

Fundos de investimentos são aplicações que coletam valores de diversos investidores (cotistas), com o objetivo de obter lucro com a compra e venda de títulos e valores mobiliários, de cotas de outros fundos ou de bens imobiliários, no Brasil ou no exterior.

Os fundos de investimentos são constituídos como condomínios, podendo ser um condomínio aberto, em que os resgates das cotas podem ser solicitados pelos investidores, de acordos com o regulamento do fundo, ou fechado, em que os resgates acontecem no prazo de vencimento do fundo.

Os fundos de investimento podem ou não determinar um objetivo de desempenho, caso em que normalmente é atrelado a um indicador como o CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

O investimento em fundo pressupõe a existência de uma gestão profissional, ou seja, o investidor ao investir seu dinheiro no fundo, o deixa a cargo de um gestor, que definirá a alocação do fundo em renda fixa e variável, sempre limitadas às regras e limites estabelecidos no regulamento do fundo.

Existem diferentes tipos de fundos de investimentos, como de ações, de renda fixa, cambiais e multimercados.

Cada um deles investe de acordo com certas regras determinadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em sua Instrução n.º 555/2014, que estipulam limites mínimos e máximos para aplicação em determinados ativos e derivativos.

Um fundo de ações, por exemplo, precisa ter uma parcela considerável de seu patrimônio (67%) alocado em renda variável. Já os cambiais devem destinar 80% do dinheiro a contratos relacionados a moedas estrangeiras.

O que é uma cota

Um fundo de investimentos é dividido em cotas. Quando você faz um aporte de capital, está na prática adquirindo cotas (ou seja, uma fração, uma parte) desse fundo. A soma de todas as cotas compradas pelos investidores é o valor do patrimônio total.

Assim, o valor da cota se altera a cada dia, mas a quantidade de cotas que você possui é sempre a mesma. Ela só vai se alterar caso seja feito um resgate, uma nova aplicação ou seja recolhido o Imposto de Renda antecipado, o chamado come-cotas.

Como funcionam

Para o investidor, os fundos de investimentos podem funcionar como uma aplicação normal, em que é feito um aporte e os rendimentos são podem ser monitorados pelo investidor periodicamente.

É preciso, porém, ficar atento às peculiaridades desse tipo de investimento, como o recolhimento do Imposto de Renda, as taxas (administração, performance e saída), prazos de resgate, política de investimentos, entre outras.

Como investir em fundos de investimentos

Para investir em fundos de investimentos, você precisa antes procurar uma corretora ou um banco de investimentos em que você confie, que tenha taxas atraentes, retornos interessantes e, de preferência, uma assistência confiável em todas as suas aplicações.

Então você deve abrir uma conta nessa instituição financeira e pesquisar a respeito de seus fundos de investimentos. Nessa hora, um bom banco de investimentos vai oferecer uma assistência para que você dê seus primeiros passos com maior confiança.

No BTG Pactual digital, por exemplo, ao se cadastrar, você faz um teste para descobrir qual é o seu perfil de investidor.

Depois, baseado nessa avaliação (que inclui patrimônio, visão de risco, etc.), você poderá escolher fundos que se encaixem melhor no seu perfil de investimentos.

Veja, por exemplo, a lista de fundos de investimentos disponibilizados pelo BTG Pactual digital.

Nessa relação, você encontra o nome do fundo, o tipo, o histórico, o perfil de risco, o investimento mínimo – tudo em detalhes para você se informar melhor e tomar as melhores decisões.

Após escolher um fundo que lhe interessa, você pode fazer o investimento inicial via home broker, um sistema digital que facilita todas as suas operações.

A partir daí, pode acompanhar os resultados diariamente e analisar relatórios periódicos de desempenho.

Tipos de fundos de investimentos

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) apresenta uma classificação de fundos de investimentos que se divide em quatro tipos principais: renda fixa, ações, multimercados e cambiais.

Fundos de renda fixa

Os fundos de renda fixa têm foco em retornos por meio de investimentos em ativos de renda fixa (também são aceitos títulos sintetizados via derivativos), com estratégias que impliquem risco de juros e de índice de preços. Não são aceitas aqui estratégias com exposição em renda variável, como ações.

Fundos de ações

A carteira dos fundos de ações é composta principalmente por ativos de renda variável, ações à vista, certificados de depósito de ações, bônus ou recibos de subscrição, cotas dos fundos de índice de ações, cotas de fundos de ações e Brazilian Depositary. Devem ter, no mínimo, 67% da carteira nessas aplicações.

Fundos multimercados

Os fundos multimercados são os mais dinâmicos e podem ter estratégias bem amplas e complexas, sem as restrições específicas de alocações em determinados ativos ou derivativos.

São fundos com políticas de investimento envolvendo diversos fatores de risco, sem o compromisso de foco em um ou outro fator em especial.

Fundos cambiais

Os fundos cambiais reúnem aplicações com pelo menos 80% da carteira em ativos (qualquer risco de crédito) relacionados diretamente ou sintetizados, via derivativos, a moedas estrangeiras. São interessantes para quem tem contratos em moeda estrangeira, por exemplo, a fim de proteção.

Por que investir em fundos

Os fundos de investimentos oferecem a possibilidade de diversificar bastante seu portfólio de aplicações sem definir as alocações uma a uma, podendo contar com um gestor capacitado para a tarefa, para a qual é remunerado.

A aplicação em fundos faz muito sentido, já que ele possibilita a exposição a ativos e derivativos menos acessíveis ao investidor comum.

Um fundo multigestor, por exemplo, permite que você coloque seu dinheiro onde os maiores e mais famosos administradores de fortunas do país estão deixando seu capital – algo que seria inacessível se você estivesse atuando por conta própria.

Essa diversificação é muito mais difícil quando necessita de seu envolvimento direto em todas as etapas.

Além da exigência de um capital mínimo, há a necessidade de grande conhecimento sobre finanças e economia e o monitoramento constante de todos os índices, indicadores e notícias do mercado.

E há vantagens específicas em cada fundo, que vão depender de seu perfil de investimento. Para quem busca alguma aplicação com alta liquidez, por exemplo, Fundos DI perseguem o CDI com liquidez diária. Para aquele dinheiro com o qual você não pode contar por muito tempo, trata-se de um destino muito mais interessante do que a poupança.

Outra situação específica se refere a investidores que possuem contratos em moeda estrangeira. Imagine que você tem uma obrigação elevada em dólares com vencimento para dois anos.

Se você tiver todas as suas reservas em reais, estará sujeito a flutuações bastante perigosas até o momento do pagamento. Se o dólar disparar, você perderá muito dinheiro.

Para esse caso, os fundos cambiais podem ser alternativas muito interessantes, já que investem boa parte de seu patrimônio em ativos e derivativos relacionados a moedas.

Outro caso interessante é o dos fundos de ações, que servem como plataforma de aplicação em ações para quem não possui o conhecimento para definir as alocações dos papéis. Assim, você conta com o know-how do gestor, que aplicará naqueles ativos que mais parecem promissores.

Desvantagens dos fundos de investimento

As desvantagens dos fundos dependem muito de qual é o seu perfil de investidor. As taxas de administração, de performance, de saída, os prazos e a tributação com recolhimento antecipado certamente não soam bem. Mas é preciso, como já alertamos, calcular o rendimento líquido já descontando todos os custos.

Custos

Os custos para investir em fundos de investimentos são mais elevados do que uma aplicação em LCI/LCA, por exemplo. Em fundos há taxa de administração, podendo, ainda, haver cobrança de taxa de performance e taxa de saída. Deve ser considerada, ainda, a tributação, que na maior parte dos fundos é antecipada pelo come-cotas, aquele elemento de apelido curioso que devora parte dos rendimentos.

Menor autonomia

A perspectiva de deixar as decisões a cargo de um gestor é positiva por um lado e negativa por outro, já que você perde autonomia caso tenha interesses específicos em certas ações ou ativos em determinado momento.

Mesmo assim, é bom lembrar que a aplicação em fundos não impede que você atue no mercado à vista, caso desejar.

Taxas

Quem pensa em investir em fundos de investimentos deve considerar com cautela todos os custos envolvidos.

Não se trata de uma aplicação como poupança ou LCI/LCA, cujo rendimento previsto, mesmo que seja pequeno, é o que de fato você verá no resultado final. Existem diversas taxas, que variam conforme a corretora ou o banco de investimentos.

Taxa de administração

Todos os fundos de investimentos cobram uma taxa de administração, que varia conforme o tipo de fundo. Normalmente, fundos multimercados cobram taxas maiores do que de renda fixa, por exemplo.

Essa taxa é um percentual anual sobre o valor total do investimento, variando bastante conforme o fundo e a instituição financeira que o oferece.

Ao analisar o histórico de um fundo, lembre-se de que o rendimento apresentado já tem o desconto da taxa de administração.

Taxa de performance

Além da taxa de administração, muitos fundos cobram uma taxa de performance, que se trata de um percentual em caso de rendimento superior a um índice previamente informado.

Essa meta é conhecida como “benchmark” e pode ser o CDI, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou o Índice Bovespa.

Embora seja vista com maus olhos em algumas ocasiões, a taxa de performance premia o bom gestor por trazer maiores retornos.

Considere o lado bom: se você paga uma taxa de performance, isso significa que o fundo superou a estimativa de valorização, e mais dinheiro entrou para o seu bolso.

Taxa de saída

A taxa de saída é cobrada pela administração do fundo quando o investidor decide resgatar os valores antes do prazo de resgate estabelecido pelo regulamento, que varia conforme a instituição financeira e o fundo, que precisa prever essa taxa e permitir o resgate “antecipado” em seu regulamento.

Assim, caso, por exemplo, aso o fundo tenha um prazo de resgate de 90 dias e você precise do dinheiro no segundo mês, por exemplo, terá de pagar a taxa de saída, normalmente expressa em percentual do valor a ser resgatado, que é revertida ao fundo.

Se você torce o nariz quando ouve falar em qualquer tributação ou taxas de administração, lembre de considerar, em qualquer investimento, apenas o rendimento líquido, e não o bruto. Descontando todos os custos, quanto de fato seu dinheiro se valorizou?

Uma aplicação popular que não tem Imposto de Renda nem taxa de administração é a poupança.

E sabe quanto ela rende? Pouquíssimo.

Em 2015, seu desempenho corroeu o poder de compra dos investidores em 2,28%. Em 2016, seu ganho real ficou em 1,9%.

Tributação nos dos fundos de investimento

 

A tributação em fundos de investimento varia de acordo com o tempo de aplicação e o tipo de fundo.

Assim como em um CDB (Certificado de Depósito Bancário), em regra geral, no resgate de fundos de investimento de renda fixa a alíquota do Imposto de Renda vai caindo com o tempo. O problema, no caso de alguns fundos, atende por um nome curioso: o come-cotas.

Imposto de Renda em fundos de ações

Os fundos de ações são exceção na cobrança do Imposto de Renda. Ao contrário da maioria dos outros fundos, estes têm a incidência do IR de 15% sobre o rendimento bruto apenas no resgate, independentemente do tempo de aplicação. Por aqui, não há come-cotas, e você vai entender o impacto disso a seguir.

Come-cotas

Come-cotas é o apelido dado à antecipação do recolhimento do Imposto de Renda em fundos de investimentos de longo prazo ou curto prazo, como os cambiais renda fixa e multimercados. Esse nome se deve à dedução semestral de cotas dos fundos, em alíquotas de 20% ou 15%.

Ficou confuso com essa história de come-cotas? Calma, é mais simples do que você imagina.

Nos fundos cambiais, renda fixa e multimercados, a cobrança de Imposto de Renda segue uma tabela regressiva conforme o tempo de aplicação.

Fundos de Curto Prazo:

  • 22,5% em aplicações que permanecem por até 180 dias
  • 20,0% em aplicações que permanecem 181 dias ou mais.

Fundos de Longo Prazo:

  • 22,5% em aplicações que permanecem por até 180 dias
  • 20,0% em aplicações que permanecem de 181 dias a 360 dias
  • 17,5% em aplicações que permanecem de 361 dias a 720 dias
  • 15,0% em aplicações que permanecem por 721 dias ou mais.

O come-cotas é um sistema que antecipa esse imposto retido na fonte. Em vez de pagar apenas lá no resgate, como em fundos de ações ou em um CDB, o come-cotas aparece a cada seis meses, no último dia de maio e no último dia de novembro.

Ele se materializa com uma redução no número de cotas (entendeu o apelido?) equivalente ao percentual do imposto sobre os rendimentos.

A alíquota do come-cotas é a menor possível em cada tipo de fundo. Em fundos de curto prazo, a cobrança é de 20% dos ganhos, e nos de longo prazo, 15%, conforme vimos na tabelinha ali em cima.

O que acontece no fim das contas, no resgate, é um cálculo da diferença entre o valor antecipado pelo come-cotas e a alíquota do Imposto de Renda em que o investimento se encaixa, conforme o tempo de aplicação.

Mas não daria no mesmo se o imposto fosse cobrado apenas no resgate? Não, pois aquele valor deduzido do investimento permaneceria rendendo durante toda a aplicação, sob efeito dos juros compostos.

Assim, o come-cotas representa um pequeno fardo, que deve ser levado em conta pelo investidor.

Então, para entender de fato quanto você poderá ganhar com um fundo de investimento, você precisa saber primeiro qual tipo de fundo está querendo investir, se é de de longo ou curto prazo.

Para isso, você deve consultar sua corretora ou seu banco de investimentos ou ler o regulamento completo do fundo. No regulamento, você terá todos os detalhes de funcionamento, taxas, performance e até a política das aplicações.

IOF

Quem pretende resgatar o dinheiro de fundos em curtíssimo prazo deve se preocupar com um imposto bem mais agressivo do que o de renda, o Imposto sobre Operações Financeiras. Para uma aplicação de um dia, a alíquota é de 96% sobre o rendimento.

IOF incidente em resgates de curto prazo não é aplicável no caso de resgate de fundos de investimentos em ações.

A cobrança de IOF segue uma tabela regressiva conforme o tempo de aplicação de um dia a 30 dias:

Veja a tabela do IOF abaixo:

Dias corridosIOF sobre rendimentoDias corridosIOF sobre rendimento
196%1646%
293%1743%
390%1840%
486%1936%
583%2033%
680%2130%
776%2226%
873%2323%
970%2420%
1066%2516%
1163%2613%
1260%2710%
1356%286%
1453%293%
1550%300%

Entendeu como é feita a cobrança do IOF? Então cuide bem com qualquer investimento inferior a 30 dias.

Riscos dos fundos de investimento

Os fundos de investimentos trazem em seus formulários de informações complementares e seus regulamentos a identificação dos seus fatores de risco. Além disso, em suas lâminas de informações essenciais, são classificados em escala de risco por seu administrador, podendo ser considerados moderados, arrojados, etc. Esses riscos estão relacionados com as aplicações e a forma de atuação dos fundos.

Há fundos que investem prioritariamente em títulos do governo, por exemplo. Nesse caso, o risco de calote ou desvalorização é baixíssimo.

Mas existem fundos multimercados que têm um perfil de risco mais arrojado e investem menos em renda fixa e mais em renda variável, em ações e derivativos. Nesse caso, o potencial de ganhos e perdas é maior.

Ao falar dos riscos, é importante lembrar que não há risco de você perder seu dinheiro devido a uma quebra da corretora ou do banco de investimentos. Isso porque o patrimônio dos fundos é obrigado a ter escrituração contábil própria, devendo as suas contas e demonstrações contábeis ser segregadas das do administrador. Assim, é correto afirmar que seu patrimônio é completamente separado do patrimônio da instituição financeira.

Conclusão

Como vimos, os fundos de investimento são opções muito interessantes de aplicação, que oferecem uma diversificação importante para o seu portfólio.

Para escolher um, você deve analisar com calma o regulamento, formulário de informações complementares e lâmina de informações essenciais, que reúnem todos os detalhes de taxas, políticas de investimentos e práticas, como a alavancagem.

Ao analisar essas opções, fique atento para optar por um fundo que se encaixe com seu perfil, seja ele moderado, conservador ou arrojado.

Além disso, confira com atenção o histórico não apenas do último mês ou ano, mas, se possível, de todo o período desde sua criação.

Dessa forma, você terá certeza de que está investindo em um fundo que será um importante componente de seu portfólio.

Assim, você pode manter sempre uma perspectiva de longo prazo, considerando a aplicação da maior parte de suas reservas em renda fixa e uma parcela menor em renda variável.

Ficou com alguma dúvida sobre os fundos de investimento? Deixe um comentário.

 

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