Os principais tipos de Fundos de Investimento

Alguns investidores não conhecem os diversos tipos de fundos de investimento disponíveis no mercado e normalmente os tratam como se fossem o mesmo produto: simplesmente fundo.

Muitos até me perguntam: “Bona, tenho 45% da minha carteira em fundos. O que você acha disso?”

Não é possível entender se a exposição de um investidor está adequada com apenas essa informação por dois motivos:

  1. a) não é possível examinar uma carteira de investimentos sem conhecer o perfil e os objetivos de um investidor e;
  2. b) também não é possível fazer qualquer avaliação sem entender que tipo de fundo o investidor possui.

Portanto é imprescindível que você, investidor, conheça os principais tipos de fundos de investimento para que possa tomar suas decisões com consciência.

Sobre os fundos de investimento

É importante lembrar que um fundo de investimento é uma modalidade de investimento coletivo, onde diversos investidores reúnem recursos e um gestor profissional faz a aplicação desses recursos conforme estabelecido em regulamento. Os investidores que aplicam recursos no fundo são chamados de cotistas.

Conhecer os tipos de fundos significa entender em que tipos de ativos os recursos do fundo serão aplicados e, consequentemente, qual o risco associado ao fundo e o que se pode esperar dele em termos de performance.

E que ativos são esses?

Se os fundos aplicam em ativos, conhecer esses ativos é a base da compreensão dos tipos de fundos. Para isso, precisarei que você use a sua imaginação.

Pense numa régua de 30 cm. Nessa régua, você tem o número zero no lado esquerdo e o número trinta no lado direito. E entre eles você tem a sequência de números de zero a trinta.

No número zero da régua estão os ativos de renda fixa, que são aqueles ativos cuja característica principal é você emprestar dinheiro para o banco, para o governo ou para uma empresa e receber o valor principal acrescido de uma remuneração previamente acordada ao final do período.

No número trinta da régua estão os ativos de renda variável. Vamos usar as ações como exemplo. Diferente dos ativos de renda fixa, as ações são participações em empresas por meio das quais um investidor pode se tornar um sócio de uma companhia e, assim, participar dos seus resultados. As ações não oferecem ao investidor uma remuneração previamente acordada, podendo oscilar para cima e para baixo ao longo do tempo de maneira que não há garantias de rentabilidade ao investidor em prazos definidos, podendo até mesmo acarretar prejuízos.

Os tipos de fundos

Se os fundos aplicam em ativos e nós falamos dos ativos de renda fixa e de renda variável, então podemos concluir que as características de um fundo serão similares ao tipo de ativos que o gestor pode investir. Dessa forma, podemos compreender de imediato dois tipos de fundos:

Fundos de renda fixa (FIRF)

São fundos em que o gestor deverá aplicar o recurso dos cotistas apenas em ativos de renda fixa. Neste caso, podemos concluir que tanto a performance quanto o risco de um fundo de renda fixa será similar aos dos próprios ativos de renda fixa, já que é justamente disso que estará composta sua carteira.

Fundos de ações (FIA)

São fundos em que o gestor deverá aplicar o recurso dos cotistas preponderantemente em ações. Consequentemente, podemos concluir que tanto a performance quanto o risco de um fundo de ações será similar ao das próprias ações, já que é nesse tipo de ativo que o gestor aplicará.

Note que um mesmo investidor pode ter dois fundos em sua carteira, sendo um de renda fixa e outro de ações, e que apesar de ambos serem fundos, cada qual terá um comportamento completamente diferente, já que os tipos de ativos em que o gestor investe são diferentes.

Fundos multimercados (FIM)

Nós falamos de fundos que investem em ativos de renda fixa e também de fundos que investem em ações.

Aí você me pergunta: “Bona, existem fundos que podem investir nas duas coisas?”

Resposta: Sim, é claro que sim! Esses são os chamados fundos multimercados.

Os fundos multimercados permitem ao gestor alocar os recursos dos cotistas tanto em ativos de renda fixa quanto em ativos de renda variável. Nesse caso, podem existir fundos com uma parcela maior ou menor em renda variável e isso vai representar maior ou menor risco.

Isso significa que dentro do universo de fundos multimercados, os gestores podem possuir muito mais liberdade de atuação e, para entender melhor, vale a pena recorrer novamente ao exemplo da nossa régua de trinta centímetros.

Se consideramos que no número zero estão os ativos de renda fixa e no número trinta estão os ativos de renda variável, então os multimercados ocupariam todo esse espaço localizado entre o zero e o trinta.

Quanto mais ativos de renda fixa um fundo possuir, mais próximo ele estará do comportamento da renda fixa e terá menor volatilidade (risco). Por outro lado, quanto mais ativos de renda variável, mais próximo ele estará da renda variável e terá consequentemente maior volatilidade (risco).

Portanto, mesmo que alguém te diga que possui investimentos em fundos multimercados, seria preciso entender se esse tipo de fundo possui maior ou menor volatilidade, ou seja, em que faixa da nossa régua de trinta centímetros ele estaria. Estaria ele perto do número dezoito? Perto do número vinte e cinco? Ou perto do número três?

A régua nos mostrará uma noção de risco: quanto mais perto do trinta, mais risco. Quanto mais perto do zero, menor o risco.

Dentro do mundo de multimercados existem outros ativos e instrumentos financeiros permitidos, tornando a gestão do fundo bem.

Por isso recomendo que o investidor não olhe apenas o desempenho passado de um fundo, mas também observe qual foi o seu pior e o seu melhor desempenho mensal, pois isso ajuda a compreender o perfil de risco de um fundo e permite ao investidor avaliar se ele tolera esse nível de risco. Importante lembrar que isso não represente nenhuma garantia futura.

Além dos aspectos quantitativos que mencionei acima, é importante obter informações qualitativas sobre a gestora responsável pelo fundo e a sua reputação.

E quais são as vantagens dos fundos de investimentos?

Investir por meio de fundos de investimento possui 4 vantagens principais sobre o investimento direto:

  1. Acesso a diversos ativos que investidores individuais teriam dificuldade de acessar;
  2. O baixo custo para movimentações se comparado ao capital mínimo necessário para investir diretamente em ativos financeiros diferenciados;
  3. A diversificação dos investimentos devido ao volume financeiro de um fundo se comparado com a capacidade individual de um investidor e;
  4. A gestão profissional feira por especialistas dedicados em avaliar e decidir pela escolha dos ativos financeiros em nome do investidor.

Conclusão

Nesse artigo expliquei sobre os principais tipos de fundos de investimentos: fundos de renda fixa, fundos multimercados e fundos de ações. Também mostrei as vantagens do investimento via fundos.

Detalharei outros tipos de fundos em artigos futuros!

Um grande abraço!

André Bona

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  1. Gostaria de saber porque alguns fundos na plataforma da BTG Pactual não possuem taxa de administração nem de performance, como o Flag Fic Fim Access.

    Grata.

    1. Simone, tudo bem?

      O Fundo mencionado é um espelho do Flag que cobra taxa de 2% de administração e 20% do que exceder CDI.
      Por se tratar de um espelho não cobramos taxa de administração e performance, pois o fundo “master” já cobra.
      Caso tenha mais dúvidas envie um e-mail para atendimento@btgpactualdigital.com