Estratégia mensal Setembro - Melhora econômica em curso

A economia brasileira continua mostrando sinais de melhora, confirmados pelos últimos dados econômicos divulgados pelo mercado. Ao mesmo tempo, o governo continua se esforçando para aprovar a agenda de reformas, e a bola da vez é a nova taxa de longo prazo (TLP) e a privatização da Eletrobrás. Mesmo que alguns riscos não tenham sumido do mapa, o cenário político continua mostrando menos sinais de turbulência. Quer saber o que temos a dizer? Leia o texto abaixo.

Melhora econômica em curso; política sob controle… até agora

Os últimos dados econômicos mostram que o Brasil vem se recuperando gradualmente. A taxa de desemprego vem caindo nos últimos meses, os salários reais têm aumentado nos últimos 6 meses e o índice de confiança do empresariado mostrou também sinais positivos. Outros dois pontos nessa trajetória positiva, que não devemos esquecer, são: os resultados das empresas no último trimestre surpreenderam positivamente e a taxa de juros vem caindo rapidamente – esperamos que a taxa de juros chegue a 7,5% aa no final de 2017. Esses dois fatores, em conjunto, favorecem os resultados financeiros, e impulsionam o investimento de longo prazo.

A agenda de reformas do governo continua seguindo em frente. Em Setembro, a nova taxa de juros de longo prazo (TLP) foi aprovada pelo congresso, com uma nova metodologia que é mais eficiente e transparente que a antiga TJLP. E para a surpresa (positiva) da maioria, o governo também anunciou seus planos de privatizar a Eletrobrás.

No campo político, as turbulências do passado deram espaço a um cenário mais calmo (por enquanto…). É esperado que o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, apresente a segunda denúncia contra o presidente da república, Michel Temer, porém, muito provavelmente, a denúncia não passará no congresso, como aconteceu com a primeira. O principal risco no curto prazo no que tange ao ambiente político, é a possibilidade de surgimento de novas delações premiadas envolvendo políticos do alto escalão.

No momento, não vemos nenhum risco político relevante no curto prazo, porém, achamos que a reforma da previdência tem grandes chances de não ser aprovada, mesmo sendo a reforma mais importante para o Brasil nesse momento. Com o déficit fiscal em uma situação não muito confortável, esse atraso na reforma da previdência pode prejudicar a confiança de que as contas públicas brasileiras serão eventualmente equilibradas.

Olhando um pouco mais a longo prazo, a eleição presidencial vem tomando lugar nos fóruns de conversa e adicionando uma pitada de volatilidade no mercado. Com a melhora na economia, a chance de eleger um candidato com a cabeça alinhada com a atual política econômica e com as recentes reformas aumentaram. Contudo, com muitos políticos brasileiros, de ambos os lados do espectro político, envolvidos em escândalos de corrupção, a eleição de 2018 nos parece completamente aberta.

Dados recentes mostram sinais de recuperação.

A última pesquisa, divulgada pelo IBGE, sobre o desemprego no Brasil, mostrou que o cenário continua positivo. Pela quarta vez consecutiva o resultado mensal tem indicado uma diminuição na taxa de desemprego. Esse mês a taxa sem ajuste sazonal alcançou 12,8%. O pico de desemprego foi atingido em março, chegando a 13,7%. No mesmo tom positivo, o salário real aumentou m/m, causando o aumento total na massa salarial pelo sexto mês consecutivo (+1,7% desde janeiro; 3,1% a/a).

Gráfico 1 | Taxa de Desemprego (Histórico com ajuste e sem ajuste sazonal)

 

Fonte: IBGE e BTG Pactual

Gráfico 2 | Salário médio e Salário total (R$ mil e R$ Bilhões)

 

Fonte: IBGE  e BTG Pactual

Depois de cair em junho, a confiança do empresariado marcou o segundo aumento consecutivo em agosto, com um crescimento de 1,4 pontos, seguindo a tendência positiva vista desde meados de 2015. Por outro lado, a confiança do consumidor caiu em agosto pelo terceiro mês consecutivo. O índice havia crescido 20 pontos entre setembro de 2015 e maio de 2017. Talvez mais importante que a confiança do consumidor para o varejo, a intenção de compra pelos consumidores, medida pela Fecormercio, continua crescendo (15,7 pontos em relação a mínima registrada em junho de 2016).

Gráfico 3 | Índice de Confiança do empresariado

 

Fonte: FGV e BTG Pactual

Gráfico 4 | Índice de Confiança do consumidor

 

Fonte: FGV e BTG Pactual

Gráfico 5 | Intenção de compra do consumidor | histórico índice

 

Fonte: Fecomercio  e BTG Pactual

Com os pontos citados, mantemos nossa visão mais otimista quanto ao mercado de ações brasileiro, mesmo com alguns riscos relevantes pela frente, principalemente a eleição presidencial em 2018 e o crescente déficit fiscal. Achamos que um portfólio exposto a baixa taxa de juros e uma melhora nas perspectivas econômicas possa ter uma boa performance, além de uma proteção adicional a um possível aumento na volatilidade.

 

 

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