Juros Composto: o que é, como calcular e usá-lo a seu favor

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Está interessado nos milagres que os juros compostos podem fazer pelos seus investimentos? Não é exagero, não.

Parece até mágica: com o devido planejamento, economia mensal e disciplina, você vai se surpreender com o salto que seu dinheiro pode dar no longo prazo.

Mas para isso primeiro você precisa entender o que são os juros compostos, em quais investimentos eles influenciam, qual a diferença exata para os juros simples e quais aplicações podem ser usadas para obter os resultados que você deseja.

No fim do post, você ainda terá uma simulação de quanto um pequeno esforço mensal se traduz em 5, 10 e 20 anos de investimentos. (O retorno final é melhor do que você pode imaginar.)

Ficou curioso? Então vamos lá. Siga a leitura!

O que são juros

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Juros são a contrapartida de emprestar dinheiro (ou outro item) a uma pessoa ou instituição. Eles são representados por um percentual sobre o valor total e podem ser calculados de forma simples ou composta. É uma espécie de cobrança de aluguel.

Ou seja, o tomador do empréstimo recebe uma soma que poderá destinar ao uso que lhe convier.

Enquanto isso, o credor ganha um rendimento por não dispor desse valor para utilização até recebê-lo de volta e pelo risco de calote, que ocorre quando a pessoa ou instituição que contraiu a dívida não a quita.

Em termos práticos, quando você compra um título do Tesouro Direto, por exemplo, você está investindo na dívida do governo.

O governo se financia dessa forma: como ele é um bom pagador, ele toma o seu dinheiro e o premia com juros mensais compostos.

Dessa forma, deixar de usar esse dinheiro agora na compra de uma televisão nova, digamos, tem uma vantagem: daqui a algum tempo, essa economia poderá lhe render duas televisões, por exemplo, por causa da incidência dos juros.

Faz sentido? Calma: tudo vai ficar mais claro nas próximas linhas.

Diferença entre juros simples e juros compostos

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A diferença básica entre juros simples e juros compostos é a base de cálculo da taxa. Nos juros simples, a taxa é cobrada sobre o valor inicial. Nos juros compostos, a taxa é cobrada sobre o valor do último mês.

Ou seja, nesse último caso, o valor cresce muito mais rápido. É o que se chama de juros sobre juros.

Vamos a um exemplo de um empréstimo de R$ 10 mil, considerando uma taxa mensal de 1%.

No caso dos juros simples, o valor devido aumenta em R$ 100,00 (1% de R$ 10.000,00) a cada mês. Em 12 meses, o valor total será de R$ 11.200,00.

No caso dos juros compostos, o valor devido aumenta em R$ 100 no primeiro mês (1% de R$ 10.000,00), R$ 101 no segundo mês (1% de R$ 10.100,00), R$ 102,01 no terceiro mês (1% de R$ 10.201,00) e assim sucessivamente. Em 12 meses, o valor total será de R$ 11.268,25.

Percebeu a diferença? O valor cresce muito mais rápido com os juros compostos. E é com eles que você pode contar para fazer seu patrimônio render com os investimentos certos.

O que são Juros Compostos

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Os juros compostos são aqueles nos quais os juros do mês são incorporados ao capital. Com uma taxa assim, o valor cresce muito mais rápido do que com juros simples. No caso de uma dívida, é perigoso. No caso de um investimento, é excelente.

Em ambos os casos, de dívida e investimento em instituições financeiras, o juro calculado é sempre o composto.

As faturas do cartão de crédito que você não conseguiu pagar por completo naqueles meses, lembra? Viu como o valor aumentou muito de um mês para o outro? Esse é o juro composto que atrapalha a sua vida financeira.

Hoje vamos nos concentrar mais nos juros compostos que vão trabalhar por você e contribuir para uma aposentadoria tranquila, sem preocupações.

Para isso, além de ler com atenção a este post, não esqueça de controlar mensalmente suas finanças, OK? Nada de ficar sonhando com investimentos mágicos tendo a conta de luz atrasada em cima da mesa.

Primeiro, resolva a pendência. Depois, busque sua independência.

Como os juros funcionam para te deixar mais rico

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Você pode ter experiências boas ou ruins com os juros. Caso contraia dívidas, você pode afundar em um lamaçal de juros compostos que colocarão em risco muito do seu trabalho duro.

Mas caso lide com cuidado com seu dinheiro e invista suas reservas em investimentos vantajosos, os juros compostos serão os responsáveis por deixar você em melhor situação financeira no futuro.

Como explicamos ali em cima, os juros compostos são aqueles que incidem sobre o valor atualizado mês a mês, que no final das contas terá uma valorização exponencial.

Você vai ver, com os exemplos dos próximos tópicos, como usar esse instrumento financeiro para ter um futuro mais tranquilo para sua família.

Para isso, um aviso desde já: você precisa começar a separar um valor mensal, mesmo que seja pequeno, e aplicá-lo rigorosamente todo mês.

Juros compostos em prática

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Você já ouviu falar em pessoas que vivem de renda ou vivem de juros? Bom, esses são os juros compostos em prática.

Mês a mês, por muito tempo, esses investidores destinaram parte de suas reservas para um ativo dentro de sua carteira de investimentos, como um título do Tesouro Direto ou até cotas em fundos de investimentos.

Isso se deve ao poder dos juros compostos, que vão multiplicando o seu dinheiro com força cada vez maior.

É fácil entender: quanto mais tempo de investimento, maior o volume de recursos; quanto maior o volume de recursos, maior diferença faz aquela taxa percentual.

Viu? Não precisa nem pegar uma calculadora para entender do que estamos falando. Mas, nas próximas linhas, é bom começar a fazer suas somas e a decidir o quanto vai economizar por mês.

Vamos dar exemplos e explicar exatamente por que começar cedo faz toda a diferença do mundo para o poupador.

Por que começar a investir cedo

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O principal motivo para as pessoas não investirem desde cedo é que elas pensam que não dispõem de dinheiro suficiente para começar. E esse é o seu maior erro: sempre dá para começar a economizar um pouquinho e destinar parte das economias para investimentos.

Mesmo que você comece com R$ 100,00 ou R$ 200,00, é importante aplicar uma disciplina de economia o quanto antes para que os juros compostos possam trabalhar por você.

É impressionante a diferença que eles fazem em um período longo de tempo. E é assustador como o tempo passa rápido: se você não se mexer agora, vai se arrepender em breve.

Algumas linhas ali para baixo, você verá uma simulação que contempla um investimento de apenas R$ 500 mensais, em aplicação bem conservadora (títulos do governo), com risco e retorno mínimos, em cenários com cinco durações para as aplicações, cinco, 10 e 20 anos.

Com essa simples simulação, é provável que você reforce ainda mais essa mentalidade de investimentos.

O resultado final é considerável e, dependendo do seu comprometimento e capacidade financeira, vai fazer você esquecer sobre qualquer discussão sobre a reforma da Previdência.

Investimentos que utilizam juros compostos

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Todos os investimentos disponíveis no mercado financeiro de renda fixa utilizam juros compostos. Podemos citar CDB (Certificado de Depósito Bancário), LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), Tesouro Direto, poupança, entre outros.

A bolsa de valores, embora não pague juros diretamente sobre os investimentos (em ações, por exemplo) também oferece retornos compostos, e não simples. Na prática, qualquer investimento, seja em renda fixa ou variável, oferece rendimentos compostos, e não simples.

Uma observação importante recai sobre a poupança, que oferece rendimentos compostos de uma maneira bastante peculiar.

Em vez de remunerar o investimento diariamente (como muitos imaginam), a aplicação paga o rendimento apenas uma vez por mês, no aniversário do depósito.

Isso significa que um investidor desavisado pode sacar toda a sua poupança de uma hora para a outra sem perceber que os juros do último mês seriam creditados apenas no dia seguinte.

De qualquer forma, o que é importante ficar claro é que todos os investimentos oferecem juros compostos, que beneficiam a aplicação no longo prazo. Quanto mais tempo você deixar seu dinheiro rendendo, melhor.

Mas é bom fazer isso conforme uma estratégia de investimentos que considere aplicações diversificadas, tanto em renda fixa quanto em renda variável.

A seguir, veja como os juros compostos têm impacto na renda fixa.

Renda Fixa

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Os juros sobre juros são seus aliados na renda fixa. É hora de conhecer mais sobre alguns títulos nos quais você pode aplicar para ver seu dinheirinho render mês a mês, ano a ano.

CDB – Certificado de Depósito Bancário

O CDB é a sigla de Certificado de Depósito Bancário. Refere-se a um título emitido por um banco ou corretora que usa o dinheiro para emprestar a outros clientes. Ou seja, a instituição financeira toma emprestado de você para encaminhar o valor a outros.

Assim, você recebe os juros pagos pela instituição, e a instituição recebe os juros pagos pelos correntistas.

Os juros pagos pelo CDB variam conforme a instituição financeira. Como o investimento é bancado pelo Fundo Garantidor de Crédito em caso de falência da instituição (até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira), você pode procurar as melhores taxas oferecidos pelos bancos e corretoras.

Com a Taxa Selic (juros básicos da economia brasileira) em tendência de queda, o CDB pode ficar menos atraente ao longo dos próximos meses, mas é bom lembrar que os juros reais do Brasil (descontando a inflação) ainda estão entre os maiores do planeta.

Na prática, o CDB ainda poderá ser um bom investimento mesmo com sucessivas quedas da Selic.

Para encontrar a melhor opção, você deve verificar não apenas os tipos disponíveis (prefixados, com a taxa de juros já definida na hora do aporte, e pós-fixados, normalmente acompanhando o CDI, que fica próximo da Selic), mas também a carência mínima para a aplicação (dentro da qual você não poderá resgatar o dinheiro) e o tamanho mínimo do aporte (que acaba influenciando na taxa de juros obtida).

LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

A LCI e a LCA são dois títulos que, para o investidor, são muito semelhantes, embora tenham finalidades diferentes para as instituições financeiras.

Ao contrário do CDB, não há incidência de imposto de renda sobre esses dois investimentos, o que pode os levar a um patamar bem interessante. Mas o valor mínimo para investimento pode chegar a R$ 50 mil em alguns casos.

Normalmente, a liquidez também não é das melhores, ou seja, não se trata de uma alternativa interessante para quem precisa resgatar em curto prazo.

Também são garantidos pelo FGC.

Tesouro Direto

Os títulos do Tesouro Direto são excelentes opções para o investidor de renda fixa, pois possuem risco zero (ou próximo disso, já que a garantia é do governo), rendimento que pode ser atrelado à Selic ou à inflação e liquidez diária (desde que o Tesouro passou a garantir a compra dos títulos antes do vencimento, em qualquer momento, para pagamento já no dia seguinte).

Há diversos títulos do Tesouro Direto à disposição, e eles não variam conforme a corretora, já que são oferecidos diretamente pelo Tesouro.

Há opções para tentar se proteger da inflação, para se escorar na Selic, para quem acredita que a inflação vai cair etc., sempre com diferentes vencimentos, dependendo da sua escolha.

Renda Variável

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Na renda variável, a ação dos juros compostos se dá de maneira indireta, pois não é possível projetar mês a mês a sua variação nem ter certeza, na hora da aplicação, de qual será o resultado final.

Assim, os retornos compostos podem agir até de maneira negativa, quando, por exemplo, as ações nas quais você investiu caem por três meses seguidos. Nesse caso, você pode se ver em um cenário contrário ao que previmos acima.

Mesmo assim, é importante deixar claro que, mesmo na renda variável, o investimento tende a dar retornos positivos, desde que seja parte de um portfólio de aplicações diversificadas, que seja conduzido de forma cautelosa e parcimoniosa e que mire o longo prazo.

Lembre-se: o curto prazo é inimigo das flutuações dos papéis, uma característica do mercado de ações.

Simulação de investimentos

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Vamos fazer uma simulação de investimentos? Você vai ver que, com um pequeno esforço mensal, o resultado ao fim de um longo período, como cinco, 10 ou 20 anos, é incrível, capaz de fazer você mudar de vida ou, pelo menos, não depender (ou depender menos) da aposentadoria do governo.

Para esse exercício de imaginação, vamos utilizar um título do Tesouro Direto que renda 5% ao ano (já descontando taxas de custódia) + a variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ou seja, não será preciso se preocupar com a inflação do período, pois ela já estará contemplada na valorização da aplicação.

Além desses valores, é preciso descontar no resgate o imposto de renda, de 15%.

Que tal economizar R$ 500,00 por mês? Não parece tão difícil, parece? Veja o resultado desse esforço com a ajudinha dos juros compostos.

5 anos

Em cinco anos, o total aplicado nos aportes mensais é de R$ 30.000,00. O ganho com juros, já descontado o IR, é de R$ 3.343,66. Ou seja, nesse período, de um saldo inicial zero você passou para R$ 33.343,66.

Não ficou impressionado? Então veja o que acontece com o dobro de tempo.

10 anos

Em 10 anos, o total aplicado nos aportes mensais é de R$ 60.000,00. A valorização com os juros, já descontando o IR, é de R$ 14.713,27. Ou seja, nesse período, de um saldo inicial zero você passou para R$ 74.713,27.

Mais uma vez, não está satisfeito com os rendimentos? Então veja o que um pouquinho mais de paciência pode proporcionar.

20 anos

Em 20 anos, o total aplicado nos aportes mensais é de R$ 120.000,00. A valorização com os juros, já descontando o IR, é de R$ 71.084,81. De um saldo zerado no banco, você atingiu, nesse período, R$ 191.084,81.

Nessas simulações, há uma observação importante a fazer. E ela pode mudar muito o cenário final. Note que, no nosso exemplo, o aporte mensal de R$ 500,00 não muda depois de um ano, dois anos ou 10 anos.

Mas se você o corrigir anualmente por uma taxa, mesmo que pequena (a inflação, por exemplo), a diferença pode ser enorme.

Para você ter uma ideia do que serão R$ 500,00 daqui a 10 anos, basta tomar a liberdade de aplicar uma inflação média de 5%, digamos. Em 2027, para você ter o poder de compra que hoje corresponde a R$ 500,00, você precisará de R$ 816,363.

Conclusão

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Viu como os juros compostos são importantes na sua jornada de investimentos? Eles são o motor de aceleração do comboio de aplicações que você vai montar ao longo tempo.

Agora que você entendeu a força desses juros, é bom primeiro retomar o básico: organizar as finanças pessoais.

Com planilhas ou aplicativos, você deve entender no que está gastando, como está despendendo o seu dinheiro e em quais áreas de sua vida você pode mexer para economizar um pouco mais.

Essa economia mensal fará toda a diferença na hora de investir. Lembre-se: os juros compostos ganham força ao longo do tempo.

No início, você pode nem se assombrar com seu poder. Mas os números vão fazer bem mais sentido depois de um, dois, cinco anos.

Aí você vai perceber que o dinheiro está trabalhando sozinho, como em um passe de mágica. Aqueles R$ 50.000,00 logo se transformam em R$ 70.000,00, que então viram R$ 100.000,00.

Tudo depende de sua disciplina e de alocar os recursos em papéis e títulos mirando o longo prazo e uma boa diversificação de seu portfólio.

Na hora de aplicar, considere destinar uma boa parte do seu dinheiro para a renda fixa, cujos retornos podem ser projetados no momento do aporte.

Assim, você contará com uma previsibilidade que não é comum à renda variável e aproveitará os benefícios de morar em um país com juros básicos altíssimos.

Mas não deixe que as flutuações da bolsa de valores o afastem desse tipo de investimento. Os retornos compostos também atuam no mercado de ações, mas o fazem de uma maneira indireta, que pode promover incômodo em perfis mais conservadores.

Agora que você já tem uma noção do que são os juros compostos e de como eles podem influenciar a sua vida financeira, que tal se preparar para o seu primeiro investimento?

Use a Calculadora do Cidadão, disponibilizada gratuitamente pelo Banco Central, para fazer suas primeiras projeções.

Nela, você vai completar o número de meses, a taxa de juros e o valor do depósito regular para descobrir quanto terá ao fim do período definido.

Para simular com maior clareza o seu futuro, espie os títulos do Tesouro Direto, que lhe permitem deixar a inflação embutida na valorização do papel.

Viu? É fácil. Agora deixe os juros trabalharem.

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