Planejamento Financeiro: o que é e por que é importante

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Pensando em criar um planejamento financeiro para o futuro? Essa é uma sábia decisão! Mas para isso, é importante tomar algumas medidas que vão reduzir seus percalços ao longo da jornada e garantir o sucesso da estratégia.

O primeiro passo é realizar um diagnóstico completo de sua situação atual e desvendar quais são seus maiores objetivos e sonhos. A partir daí, é possível traçar uma rota certeira de investimentos para chegar aonde você deseja.

Neste artigo, você vai aprender:

  • A diferença que um bom planejamento financeiro pode fazer
  • Como e quando usar esse planejamento
  • Qual é o impacto da disciplina nessa estratégia
  • Como a mágica dos juros compostos vai atuar a seu favor
  • Exemplos dos juros compostos em ação
  • O que levar em consideração ao montar sua carteira de investimentos
  • Cuidados com imprevistos ao longo do caminho
  • Passo a passo para a ação.

Preparado para começar? Mãos à obra!

O que é planejamento financeiro

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Planejamento financeiro é a organização das finanças pessoais para a criação de um manto de proteção das necessidades do indivíduo e de uma ferramenta poderosa para alcançar objetivos e realizar sonhos em curto, médio e longo prazo.

Um dos principais pilares de sustentação do planejamento financeiro é a disciplina. Esse zelo por ações objetivas em prol das metas é que vai determinar o sucesso dessa organização.

De nada adianta uma estratégia que seja seguida por apenas uma semana ou um mês. Aqui estamos falando de anos e décadas.

É de olho no longo prazo e na aposentadoria que deve se concentrar o planejamento financeiro. Tudo começa com um bom diagnóstico da situação atual e passa pelos caminhos necessários para o sucesso.

Nessa avaliação, é preciso incluir salário e rendimentos atuais, estabilidade dessa fonte de renda, previsões de receitas extraordinárias nos próximos meses e anos e apuração de gastos semanais, mensais e anuais.

Depois, é hora de traçar os principais objetivos que você tem em mente para os próximos 5, 10, 20 e 30 anos. Onde você quer estar financeiramente e pessoalmente dentro dessas faixas de tempo? Que tipo de vida você deseja? Quanto gostaria de ganhar?

Com esses dois cenários em mãos, o atual e a perspectiva futura, você tem uma base para começar a se planejar. É o momento de descobrir os melhores caminhos para chegar de fato ao futuro que você almeja.

Ficou interessado nos próximos passos? A seguir, vamos dar mais detalhes para o seu planejamento ser feito nos mínimos detalhes.

Quando usar o planejamento financeiro

Quanto antes você começar a traçar o seu planejamento financeiro, mais fácil será alcançar os seus objetivos. Por isso, reserve algumas horas do seu dia ainda hoje ou ainda nesta semana para anotar as suas primeiras ideias.

Caso ainda não tenha percebido, se você não delinear um planejamento conscientemente e tomar as atitudes para torná-lo realidade, tomará um caminho que pode não levá-lo para onde você deseja.

A vida está sempre em movimento, e você está sempre em direção a algum destino, financeiro e pessoal. Será que esse é o rumo certo neste momento?

Para descobrir, não tem jeito: você precisa traçar um planejamento financeiro adequado, que contemple a sua situação atual e os seus objetivos.

Por que o planejamento financeiro é importante

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Um bom planejamento financeiro é importante por mostrar as rotas (de economia, esforço pessoal, trabalho, investimento) que você precisará tomar para alcançar o sucesso.

Com a Reforma da Previdência, essa necessidade de tomar conta do próprio futuro vai ficar cada vez mais clara para os brasileiros.

Se você usar as dicas deste artigo, certamente terá condições de avançar mais rapidamente em direção aos seus sonhos.

Neste tópico a seguir, vamos mostrar como a disciplina de investimento fará a diferença no seu futuro.

Como a disciplina impacta o planejamento financeiro

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A disciplina é essencial no planejamento financeiro. O principal motivo atende pelo nome de juros compostos. Eles fazem mágica nos investimentos – e torturam aqueles que possuem dívidas.

Imagine se você comprasse um título do Tesouro Nacional por R$ 1.000,00 em 1995 e o esquecesse completamente por 20 anos. Com uma valorização prefixada de 10% ao ano, aqueles R$ 1.000,00 se transformariam em R$ 6.763,97.

Com um rendimento atrelado à Selic, aqueles R$ 1.000,00 virariam R$ 28.025,11.

Espantado?

Bem-vindo ao universo dos juros compostos! São os famosos “juros sobre juros”, que ocorrem quando o rendimento do investimento entra na conta de valorização.

É um cálculo diferente dos juros simples, quando a valorização nominal é sempre a mesma.

No exemplo acima, os juros simples de 10% de R$ 1.000,00 seriam sempre de R$ 100, ou seja, em 20 anos, a valorização seria de R$ 2.000,00, em um resultado final de R$ 3.000,00.

Nesses exemplos, estamos excluindo das contas possíveis taxas, o Imposto de Renda (que seria de 15%) e a inflação (que está agora dentro da meta de 4,5%, mas que já flutuou muito acima dela).

Esses números são só para dar a dimensão de que, se você tiver a disciplina de investir um valor fixo todo mês, seja ele qual for, o resultado no longo prazo será muito interessante.

Ficou curioso para ter um exemplo real de como a disciplina vai fazer a diferença no seu planejamento financeiro? Então, vamos lá.

Exemplo de disciplina no investimento

Existem títulos do Tesouro Direto que são atrelados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ou seja, à inflação oficial do país.

Sabe por que eles são interessantes para o planejamento? Porque eles permitem que você tenha perspectivas de valorização que vão superar a inflação e ainda garantir juros reais.

Um dos títulos disponíveis no início de abril de 2017 era o Tesouro IPCA+ 2035, com vencimento em maio de 2035 e rendimento de 5,23% ao ano mais a inflação do período.

Digamos que você invista no próximo mês R$ 20.000,00 nesse título e, a cada mês subsequente, compre R$ 1.500,00 em títulos com o mesmo rendimento até esse vencimento.

Em maio de 2035, daqui a 18 anos, você terá R$ 583.003,18 mais toda a inflação do período. Parece pouco? Esse valor se refere, na verdade, ao poder de compra que você tem hoje com R$ 583.003,18, já que a variação do IPCA está inclusa no rendimento do título, mas ainda não precificada.

O montante total que você terá será bem maior. Considerando, digamos, aquela valorização de 10% ao ano (somando inflação média pouco inferior a 5%), o resultado final será de R$ 972.590,28.

Nesse caso, você pagaria 15% de Imposto de Renda sobre os rendimentos, o que equivale a um desconto de R$ 94.288,54. Resultado final: R$ 878.301,74 (desconsiderando a taxa de custódia de 0,3% ao ano).

Esse exemplo não é uma dica de investimento – apenas uma demonstração de força dos juros compostos. Você não deve concentrar seus esforços apenas em um título do Tesouro Direto.

A regra para planejar seus investimentos é diversificar e criar um portfólio com diferentes ativos. A seguir, entenderemos melhor como fazer essa estratégia.

Defina suas metas e sonhos

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É importante definir suas metas e sonhos para entender como chegar ao futuro que você almeja. Quais são os seus planos para daqui a cinco, 10, 20 e 30 anos?

Quer aumentar a família? Fazer mais viagens internacionais? Comprar uma casa maior? Trocar de carro com maior frequência? Mudar-se para outra cidade? Elevar seu padrão de vida de forma geral?

Nesses cálculos, é importante entrar todos os seus custos, os básicos, que você tem todo mês, e os desejáveis, aqueles que você gostaria de ter.

Por exemplo, nos custos básicos, entrariam o valor do aluguel (quando aplicável), IPTU, gastos com automóvel, alimentação, educação, saúde, despesas da casa, entre outros.

Nos custos desejáveis, poderiam entrar duas viagens de férias por ano, troca de carro com maior frequência, uma reforma no apartamento ou a mudança para uma casa maior, etc.

Nesses cenários de projeção, também é interessante vislumbrar metas objetivas, como o valor mensal que você gostaria de ganhar ou todos os elementos que perfazem o estilo de vida que você gostaria de levar.

Será que essas ambições lhe trouxeram um número à mente? Por exemplo, R$ 7.000,00 ou R$ 10.000,00 por mês. Quanto será que você precisaria hoje para garantir essa renda mensal?

Um exercício interessante é o de tomar um título do Tesouro atrelado à inflação, para garantir a permanência do poder de compra ao longo dos anos.

Para ter uma renda de R$ 10.000,00 por mês, com risco praticamente zero e poder de compra mantido com a variação do IPCA, você precisaria investir R$ 2,4 milhões neste momento.

Ficou assustado?

Bom, é aí que o planejamento financeiro entra na história.

Você não precisa ter esse valor agora, à mão. Mas você tomar diversas medidas neste momento para garantir que daqui a 20 anos terá as condições que almeja.

Faça um controle financeiro

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Fazer um controle financeiro adequado é o primeiro passo para um futuro de metas e sonhos realizados. Para esse diagnóstico, é importante usar planilhas ou aplicativos e se dedicar um bom tempo reunindo todas as informações sobre gastos e rendimentos da família.

Se você usar uma planilha, dedique uma aba a todos os gastos que você tem hoje, separando as despesas eventuais.

Em outro espaço, reúna todos os rendimentos, os fixos e os eventuais.

Se houver dívidas em sua vida, não esqueça de relacioná-las, por menores que sejam. Aqui é importante ter um quadro geral de suas finanças.

É normal que ocorram surpresas nessa hora. Quem não faz o controle adequado das finanças acaba encontrando situações bem peculiares. Você pode perceber, no fim do mês, que a conta de supermercado ultrapassa os R$ 1.000,00, por exemplo. Ou que a assinatura de jornais consome R$ 900,00 em um ano.

Agora, você sabe quanto sobra no fim do mês? É hora de decidir quanto você quer economizar.

Para isso, você deve eleger prioridades e cortar tudo que for supérfluo, de preferência em negociação com seu cônjuge, caso o tenha.

Nessa redução de custos, você pode começar devagar, estabelecendo uma taxa de corte de 10% nas despesas mensais, por exemplo. Aos poucos, você vai chegar ao valor mensal que quer destinar aos investimentos.

Lembre-se: a chave aqui é a disciplina. Economize todo mês, e não de vez em quando.

Escolha a estratégia de investimentos que irá adotar

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Uma boa estratégia de investimentos deve mirar o longo prazo. Esse é o primeiro ponto ao qual você precisa ficar atento.

Como você está planejando o seu futuro, pode tolerar algum risco no curto prazo, desde que esteja investindo em ativos que ofereçam segurança no futuro.

Para definir exatamente para onde vai o seu dinheiro, você precisa considerar alguns aspectos, como segurança, custos, inflação, diversificação e renda variável. Falaremos mais detalhadamente sobre eles agora.

Segurança

Boa parte das suas reservas deve se destinar à renda fixa, que garante retornos previstos na hora da aplicação, especialmente em um país com uma das maiores taxas de juros do mundo.

Nesse tipo de investimento, analise com atenção opções de CDB (Certificado de Depósito Bancário), LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), Tesouro Direto (títulos da dívida pública).

Custos

Ao analisar e calcular os seus rendimentos, você deve levar em conta todos os custos das aplicações.

Em renda fixa, pode haver cobrança de Imposto de Renda, de 22,5% a 15%, dependendo do tempo do investimento.

Em fundos de ações, lembre-se da taxa de administração e performance, além do IR de 15%.

Em fundos multimercados, além das taxas, há ainda o come-cotas, uma antecipação semestral do Imposto de Renda.

Faça a análise do seu perfil de investidor! Dependendo do seu apetite por risco, algumas das alternativas acima não são recomendadas.

Inflação

Além dos custos de cada aplicação, você precisa levar em conta um fator muito importante da economia: a inflação. Ela corrói o poder de compra e pode competir de igual para igual com investimentos ruins, como a poupança (que perdeu a batalha em 2015, por exemplo).

Então, ao considerar suas opções de longo prazo, analise com atenção títulos atrelados a indicadores como o IPCA (inflação oficial), Selic (taxa de juros básicos da economia) e CDI (índice usado pelos bancos, que acompanha de perto a Selic).

Diversificação

Para o longo prazo, nada melhor que a diversificação. Você não deve concentrar todos os seus esforços em apenas um ativo, um papel ou um tipo de investimento.

Por que não alocar seus recursos em mais de uma opção, de forma que você ganhe bem em qualquer cenário econômico?

Essa é uma estratégia para diminuir seus riscos, já que eventos extraordinários podem prejudicar muito a rentabilidade de um único ativo.

Renda variável

Não esqueça a renda variável nessa equação estratégica. Ela vai permitir uma melhor diversificação de seu portfólio de investimentos e, além de maximizar retornos, poderá auxiliar a minimizar perdas em diversos cenários.

Lembre-se de que, no longo prazo, há espaço para muitos acidentes de percurso do mercado. Para desviar deles, você precisa ter ferramentas como ações, opções e derivativos.

Além de operar direto na bolsa, você pode usar o conhecimento do gestor de sua corretora ou banco de investimentos através de um fundo de investimentos multimercados ou fundo de ações.

Monitore seu controle financeiro e investimentos

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Nessa sua jornada em busca de uma aposentadoria tranquila e uma renda fixa de olho no olho prazo, é importante manter um controle financeiro e dos investimentos.

Isso significa acompanhar mensalmente como os números estão se virando e o que você deve adaptar para se manter no rumo certo.

Assim, é importante ficar de olho no noticiário econômico. Como está o humor do mercado? Quais são as perspectivas para a Selic? E para a inflação? O que diz o último Boletim Focus, aquele documento de divulgação periódica do Banco Central que reúne as projeções dos maiores especialistas do país?

Todos esses elementos citados acima são importantes para você compor (e recompor) sua carteira de investimentos.

Será que aquele dinheiro de um título prefixado do Tesouro Direto não seria mais bem remunerado no CDB com valorização de 110% do CDI? Esse é o tipo de decisão que você deve tomar para manter bem o seu portfólio.

Na esfera pessoal, também é essencial manter o controle dos gastos e dos rendimentos. Como está aquele corte de custos imposto no início? Ele se manteve? Houve imprevistos no caminho? Então, é hora de ajustar a planilha.

Cuidado com os imprevistos, como o come-cotas

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Um dos maiores cuidados que você deve ter ao projetar rendimentos e comparar investimentos é com os custos, que nem sempre ficam muito evidentes. Um exemplo prático é o come-cotas, uma antecipação do Imposto de Renda presente em muitos fundos.

Opa, você nunca ouviu falar no come-cotas? Então, fica o aviso: ele é uma alíquota de 20% a 15% que é descontada semestralmente dos rendimentos em muitos fundos de investimento, como os multimercados e os de renda fixa.

Na verdade, é a cobrança do Imposto de Renda – só que ao longo da aplicação, e não apenas no resgate.

Se esse detalhe passar despercebido nos seus cálculos, você pode ter uma rentabilidade muito menor do que a prevista.

Esses rendimentos retirados “antes da hora” acabam não passando pelo processo dos juros sobre juros, que poderia valorizar aquele dinheiro por muitos meses ou anos.

Além do come-cotas, há muitos outros custos que podem não estar claros para quem está começando a investir.

Um deles é o próprio Imposto de Renda em investimentos de renda fixa, como o CDB. A alíquota, cobrada no resgate, varia de 22,5% a 15% dependendo do tempo de aplicação, para menos de 180 dias a mais de 720 dias.

Um imposto mais agressivo é o IOF, que incide sobre investimentos de prazo inferior a 30 dias, em uma tabela regressiva. Para um dia apenas, o IOF é de 96% (sim!). Para 29 dias, 3%.

Além dos tributos, há também as cobranças de custódia (bolsa de valores, Tesouro Direto), taxas de administração e performance (fundos de investimentos), entre outros.

Por isso, antes de decidir aplicar seu dinheiro em um ativo, leia com atenção todos os detalhes de seu regulamento. E se ficar com dúvidas, peça a assistência de sua corretora ou banco de investimentos.

Conclusão

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Como você viu, o planejamento financeiro depende de organização. Parece óbvio, mas vale reforçar o mantra: é preciso saber onde você está e para onde quer ir para descobrir o caminho a ser seguido.

Muitas vezes, o investidor desconhece sua verdadeira situação financeira antes de começar a pesquisar sobre aplicações. Mas sua disponibilidade de dinheiro tem impacto enorme sobre suas possibilidades de investimento.

O principal impacto se refere à liquidez. É indicado que você descubra quanto gasta mensalmente para separar cinco ou seis meses de verba para destinar a aplicações facilmente conversíveis em dinheiro.

não leve a poupança em consideração, OK? Há muitos outros investimentos com risco tão baixo quanto a caderneta que remuneram muito melhor do que ela.

Um CDB com vencimento mensal, por exemplo, pode pagar uma taxa próxima do CDI. Para aplicar em um, portanto, você pode investir até aquele dinheiro que vai precisar daqui a 40 dias, por exemplo.

Um título do Tesouro Direto que acompanhe a Selic também poderá ser vendido a qualquer momento, caso você precise, com baixo risco de desvalorização.

Outra possibilidade ainda é um fundo DI, que investe principalmente em títulos do Tesouro e tem alta liquidez, para aquela verba da qual você dispõe por pouco tempo.

Além de usar os investimentos mais líquidos para uma parcela do seu patrimônio, você vai traçar, no seu planejamento financeiro, uma estratégia diversificada para compor a sua carteira com aplicações de maior rendimento, com a outra parcela de suas reservas.

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