Em épocas de queda da bolsa, com circuit breaker sendo acionado, alguns investidores seguem os movimentos de manada. Como resultado, estão vendendo seus papéis desesperadamente com a finalidade de “reduzir” o prejuízo.

Mas será que essa é a atitude correta a ser tomada em momentos de queda da bolsa de valores? Como se blindar emocionalmente e tomar decisões baseadas em números e fundamentos? Este é o tema do artigo de hoje.

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O que é o Circuit Breaker?

Quando a bolsa de valores sofre uma queda muito forte, o circuit breaker é acionado. Este mecanismo suspende os negócios por um tempo, para que os investidores busquem mais informações e não saiam vendendo suas ações desesperadamente.

No caso da bolsa brasileira, a regra número um do circuit breaker é interromper as negociações por 30 minutos em caso de desvalorização de 10% no Ibovespa. Após este intervalo, se o índice continuar o movimento de baixa e acumular uma queda de 15%, interrompe-se os negócios por mais uma hora. Se, após o último intervalo, a bolsa apresentar uma desvalorização de 20% em relação ao dia anterior, a B3 suspende as atividades e fica responsável por definir um novo prazo para reabertura do mercado.

Como resultado do circuit breaker temos o “efeito manada”, resultado de um apavoramento geral dos investidores em relação às notícias. Por ter muito mais vendedores do que compradores, o valor das ações é reduzido com muita intensidade.

A queda da bolsa não necessariamente reflete a realidade das empresas

Na bolsa de valores, o preço dos papéis é reflexo, principalmente, das expectativas dos investidores em relação a perdas ou ganhos de faturamento e à possibilidade de lucro da empresa em questão. Havendo uma diminuição nos lucros, consequentemente há perda de valor da empresa e queda no preço das ações. O inverso também é verdadeiro.

Sobre a crise atual, algumas ações despencaram porque os fatos trarão consequências diretas à receita das empresas. No caso da Petrobrás, seus papéis caíram devido à queda do preço do petróleo, que impacta diretamente sua lucratividade.

Porém, outras ações apresentaram queda sem alguma justificativa aparente em seus fundamentos. São estes papéis que trarão as oportunidades para a sua carteira no longo prazo.

Siga SEMPRE a sua estratégia de investimentos

Os meus alunos do Curso Inteligência Financeira e as pessoas que leram ao menos duas edições do meu livro “Investimentos Inteligentes” sabem que a estratégia não muda de acordo com o cenário. Mesmo que este seja de marcante queda da bolsa.

Uma estratégia de investimentos passa por construir uma reserva de emergência, alocada em renda fixa, e chega em planos de longo prazo, como a independência financeira, quando a carteira estará balanceada entre renda fixa e renda variável.

Você pode considerar um desequilíbrio momentâneo da sua carteira de longo prazo para aproveitar oportunidades na renda variável.

Se você possui reservas para emergências, poderá reduzi-la MOMENTANEAMENTE para aproveitar oportunidades de investimento em renda variável, desde que:

  1. 1. Tenha certeza de que não sofrerá perdas em sua renda familiar;
  2. 2. Tenha consciência de que o padrão de consumo será reduzido por conta das precauções em relação ao coronavírus;
  3. 3. Não comprometa significativamente as reservas (em momentos de crise, sugiro que mantenha o suficiente para cobrir 6 meses dos seus gastos mensais); e
  4. 4. Tenha um Plano B para ser levado em consideração, como vender o automóvel, por exemplo.

Conclusão

Diante de uma queda da bolsa, lembre-se que, ao ver o preço das suas ações caírem, você não está perdendo dinheiro. Você continua dono da empresa. Você só perderá dinheiro se vender o papel. Avalie se a empresa possui capacidade de superar a crise no longo prazo e voltar a ser lucrativa, caso ela sofra perdas por conta do momento em que vivemos – pois as pessoas estão consumindo menos.

Ninguém sabe quando a bolsa vai se recuperar. Tudo dependerá dos resultados dos esforços de combate ao Covid-19.

Mantenha a calma, analise os fundamentos e cuide da sua saúde – física e mental.

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