Os termos cisne branco e cisne negro não existem apenas na natureza ou em manifestações artísticas. No mercado financeiro, eles também ganharam significado desde que o analista e escritor Nassim Taleb utilizou a ideia em suas análises econômicas.

Eles não apenas dizem algo no universo dos investimentos. Afinal, o cisne negro e o cisne branco também podem estar afetando as suas finanças pessoais e a sua estratégia como investidor.

Então, que tal saber mais sobre estes termos e aprender a lidar com as possibilidades para diminuir os efeitos negativos dos cisnes no seu dia a dia?

Neste artigo, ajudo você a entender os conceitos e proponho uma reflexão importante sobre o tema. Confira!

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O que é um cisne branco e cisne negro no mercado financeiro?

O uso dos termos cisne branco e cisne negro no segmento financeiro partiu da existência destes cisnes na natureza. Por muito tempo se acreditou que todos os cisnes eram da cor branca. Até que, no século XVII, se descobriu que os animais da cor preta também faziam parte da espécie.

Entretanto, cisnes negros são extremamente raros na natureza, certo? O autor Nassim Taleb usou essa informação como base para utilizar ambos os cisnes como um conceito no mercado financeiro em seu livro “O Cisne Negro”, de 2007.

Os cisnes negros

Os cisnes negros representam fenômenos imprevisíveis e que não acontecem com frequência. Apesar de raros, são muito significativos e causam grandes efeitos econômicos.

Então, em outras palavras, podemos dizer que eles representam problemas que afetam seriamente a economia.

Para serem considerados cisnes negros do mercado financeiro, os acontecimentos devem ser aleatórios, gerar consequências diretas nas empresas e governos e impossibilitar a previsão de quanto tempo podem durar.

Parece difícil pensar em um caso assim? Um exemplo prático lhe ajudará: o atentado terrorista às torres gêmeas na cidade de Nova Iorque, em 11 de setembro 2001, foi um cisne negro. Uma grande e triste surpresa que afetou a sociedade e a economia, sendo difícil prever a duração dos efeitos.

De maneira parecida, temos um exemplo bem mais recente: a crise causada pelo novo coronavírus. Uma pandemia que originou consequências sociais e econômicas em todo o mundo e para a qual é difícil fazer previsões.

Os cisnes brancos

Já os cisnes brancos são eventos previsíveis e mais comuns. Eles representam problemas econômicos de menor impacto na comparação com os efeitos que os cisnes negros causam ao mercado.

Ainda que possam ter efeitos destrutivos, os cisnes brancos não se apresentam de forma tão rara e aleatória quanto os cisnes negros.

Leia também: Coronavírus: o cisne negro de 2020

Quais são os efeitos dos cisnes?

Algumas crises econômicas podem ser analisadas previamente por especialistas do mercado. Por exemplo, as chamadas bolhas econômicas (como a bolha imobiliária que estourou nos EUA em 2007). Assim, elas não chegam a se configurar como cisnes negros.

Assim, os principais exemplos de cisnes negros são catástrofes – sejam ela ambientais não – ou crises sanitárias que podem acontecer a qualquer momento. Segundo Taleb, uma de suas características centrais é serem aleatórios e, por isso, não fazerem parte das estatísticas.

Pensando no assunto, é possível entender que os efeitos de um cisne negro costumam ser bem profundos, certo? Afinal, lidar com as crises previstas e, de certa forma, frequentes tende a ser mais fácil do que ser pego de surpresa por uma situação muito mais difícil e imprevisível.

Por pegar empresas e governos desprevenidos, os cisnes negros causam dificuldades profundas. A bolsa de valores, inclusive, costuma passar por quedas significativas – como aconteceu no período do atentado terrorista às torres gêmeas e também na crise do coronavírus.

Os cisnes brancos, por outro lado, costumam ser mais previsíveis – e, portanto, mais fáceis de serem previstos com certa antecedência. Como podem ser previstos, muitas vezes é até mesmo viável evitar a crise.

Por exemplo, em alguns momentos existe a possibilidade de empresas e governos tomarem medidas para prevenir problemas e situações caóticas que aconteceriam caso nada fosse feito.

Já em relação aos cisnes negros, como expliquei, é difícil prevenir a crise porque ficamos impossibilitados de prever sua chegada. Entretanto, isso não significa que não seja possível se proteger das consequências trazidas por eles.

Como amenizar as consequências dos cisnes?

Tantos os cisnes brancos quanto os cisnes negros podem causar dificuldades econômicas para empresas e problemas financeiros para os cidadãos. A diferença é que, por serem previsíveis, os chamados cisnes brancos se tornam mais fáceis de lidar.

Mas é preciso que seja sempre assim? Será que, por ser um cisne negro, uma dificuldade imprevista será invariavelmente devastadora para as suas finanças? Acredito que não.

Algumas atitudes de proteção podem amenizar – e muito – as consequências trazidas por estas crises. Mais do que isso: determinados comportamentos conseguem até mesmo ajudar a blindar sua vida financeira dos cisnes negros.

Tenha sempre em mente que uma crise, mesmo imprevisível, pode ser encarada como um cisne branco por quem está organizado e preparado para ela.

Veja o que pode ajudar a ver as situações dessa forma e encarar qualquer crise com muito mais tranquilidade:

Acolher a imprevisibilidade

Você já entendeu que um cisne negro representa um acontecimento imprevisível, certo? Agora, pense bem: o que é, de fato, previsível na nossa vida?

Embora queiramos acreditar no contrário, a verdade é que algo pode frustrar nossos planos a qualquer momento.

Então, a melhor estratégia é reconhecer a imprevisibilidade como um fator relevante no seu planejamento de finanças e investimentos. O que significa? Ter educação financeira para não agir como se as crises raras nunca fossem existir.

Ninguém esperava que, em 2020, o mundo enfrentaria uma pandemia que levaria ao isolamento social e à retração econômica global. É certo que os detalhes dessa situação não podiam ser previstos, mas o risco de acontecer uma crise em algum momento deve fazer parte das suas projeções.

Portanto, opte por sempre acolher a imprevisibilidade na hora de organizar suas finanças e seus investimentos.

Planejar-se para cenários adversos

Em resumo, se você não sabe quando ou como uma crise pode surgir, mas reconhece que existe sempre a possibilidade de algo de errado acontecer, deve se planejar considerando esse cenário.

Uma ferramenta central para esse planejamento é a reserva de emergência.

Quem conta com uma reserva financeira para ser usada em casos extremos já está um passo à frente para transformar cisnes negros em cisnes brancos. Da mesma forma, o investidor que toma decisões seguras na sua carteira também sofrerá menos os efeitos da crise.

Ou seja, é necessário se planejar para cenários adversos – sejam eles previsíveis ou não. Uma empresa que não tem um bom fluxo de caixa nem gestão do patrimônio líquido, por exemplo, estará mais exposta a problemas, mesmo em uma crise pequena e previsível.

O que podemos concluir?

No final, a cor do cisne que impacta a sua vida financeira e a sua carteira de investimentos dependerá, basicamente, de como você está ou não preparado para passar por crises. Tenha em mente que obstáculos existirão com frequência.

Independentemente do tamanho ou das particularidades de cada crise, o melhor que podemos fazer é estarmos preparados para imprevistos.

Logo, se você ainda não se sente preparado para as crises, vale a pena aproveitar os períodos difíceis para otimizar sua estratégia e organizar suas finanças e investimentos para estar mais preparado no futuro. Afinal, em algum momento, uma nova crise sempre surgirá.

E você, o que tem feito para se preparar para os próximos cisnes brancos e cisnes negros no Brasil ou no mundo?

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