Com a decisão do Copom de reduzir a Taxa Selic para 2,25% ao ano, muitos investidores estão em dúvida se ainda vale a pena manter seus investimentos em renda fixa.

No artigo de hoje, explico se devemos mudar ou seguir nossa estratégia de investimento diante deste cenário.

A renda fixa não morreu

A renda fixa continua fazendo parte da nossa estratégia de investimento. Cada vez mais, devemos estar atentos às taxas oferecidas.

Em relação aos produtos de liquidez imediata, não devemos aceitar os que entreguem uma rentabilidade bruta histórica menor do que 100% do CDI. Fundos DI com baixa taxa de administração e CDBs são boas opções. O Tesouro Direto Selic está descartado enquanto houver a taxa de custódia da B3 de 0,25% ao ano. Esta cobrança faz com que este título renda apenas 88% do CDI.

Para objetivos de médio/longo prazo, deve-se alocar a parcela da renda fixa em produtos com menor liquidez. Debêntures, CRAs/CRIs, LCAs e LCIs e fundos com alocação em crédito privado ou em debêntures incentivadas são boas opções.

Mantenho meu investimento na poupança antiga?

Quem possui investimentos em conta poupança que foram aplicados antes de 03 de maio de 2012, mantém a remuneração de 0,5% ao mês + TR.

O principal problema em manter a poupança antiga não é a rentabilidade de 0,5% que você recebe a cada 30 dias (lembre-se que, ao resgatar o dinheiro antes da data de aniversário, sua aplicação renderá ZERO naquele mês), mas a rentabilidade que você perdeu ao deixar de aplicar em outras modalidades mais eficientes de investimento (como o CDB ou até a renda variável). Afinal, 8 anos se passaram.

Neste caso a dica seria utilizar o CDB ou Fundo DI para a reserva de emergência imediata (entre 1-2 meses dos seus gastos) e manter a poupança antiga como reserva para rebalanceamentos (seja para renda variável ou para recompor a reserva de emergência imediata) ou oportunidades programadas, assim você conseguirá efetuar os resgates nas datas de aniversário das aplicações na poupança.

Leia também: 3 investimentos de baixo risco para a sua reserva de emergência

Estratégia em renda variável com Taxa Selic em queda

Como sempre menciono em meus artigos, é importante contar tanto com a renda fixa quanto com a renda variável para construir uma carteira eficiente de investimentos.

O balanceamento da carteira, entre as duas modalidades, deve ser feito de forma mais eficiente, procurando aplicar em renda variável até o limite proposto em seu planejamento. Ficar exposto acima do limite é recomendável apenas para investidores experientes.

Se você está acima do limite proposto, mas seus estudos mostram que o ativo em análise possui potencial de valorização, mantenha-o e acompanhe muito de perto.

Lembre-se que investir em renda variável não é um trabalho de achismo, mas, sim, de muito estudo e fundamento.

Cuidado com a alavancagem

Sabemos que alguns investidores buscam iniciativas para acelerar a multiplicação do patrimônio. O problema é quando essa procura perde grande parte do seu lado racional e leva a escolhas excessivamente arriscadas.

Um grande exemplo de investimento com alto risco é a prática da alavancagem, onde o investidor obtém dinheiro emprestado para investir. A lógica é conseguir retornos superiores às taxas contratadas. Em um cenário de juros baixos, esta prática volta a ficar no radar desse público.

Se você pretende utilizar o crédito como estratégia de crescimento de patrimônio, faça isto em sua área de competência. Este tipo de investimento é uma boa alternativa à medida que o ganho é praticamente certo ou quando você tem amplo domínio sobre o ativo investido. Caso contrário, você correrá o risco de ter uma perda significativa do seu patrimônio.

Leia também: O que é alavancagem e como funciona 

Conclusão

Mesmo com a queda da Taxa Selic devemos sempre manter nossa reserva de emergência e aplicações para objetivos de curto/médio prazo em renda fixa.

O investimento em renda variável, mais do que nunca, será componente importante para alcançar rendimentos expressivos no longo prazo. Até o mais conservador dos investidores deveria ter pelo menos uma pequena parte de seu patrimônio em renda variável.

Cuidado com as estratégias que envolvem alavancagem. Quando pensamos em investimentos arrojados, é preciso decidir racionalmente e evitar dar um passo maior que a perna.

Sempre é bom ressaltar que a taxa de juros no Brasil ainda é muito boa, comparada a países que cobram juros negativos em seus títulos.

 

Gustavo Cerbasi

Gustavo Cerbasi:

Cerbasi é um parceiro de conteúdo do BTG Pactual digital. Consultor, professor, palestrante, autor de 16 livros com mais de 2,5 milhões de exemplares vendidos, entre eles o best-seller “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”.

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