Nos últimos dias, recebi questionamentos em relação à validade de modelos e conceitos de planejamento financeiro em meio à crise financeira que estamos vivendo. “Os cálculos dos livros continuam válidos?”, “ainda é certo incluir renda variável em meu plano de previdência?” e “o que fazer agora?” foram algumas das perguntas mais frequentes que recebi.

Nesse artigo explicarei o que podemos fazer com os nossos investimentos em meio à crise que estamos vivendo.

O primeiro passo é manter a calma

Não há muito o que se fazer “agora”. Pense no que é preciso fazer sempre.

Planejamento de longo prazo não é um simples conceito semântico. Ele deve ser praticado em sua essência, principalmente se é grande o intervalo entre as decisões importantes de quem investe.

Para quem tem nos investimentos uma atividade que corre quase que em uma dimensão paralela a seu trabalho e vida pessoal, as decisões de investimento devem ser estratégicas e pouco mutáveis.

Cálculos envolvidos em modelos, distribuição de risco na carteira e escolhas feitas para sua aposentadoria ou para a escola de seus filhos não devem mudar. Devem, talvez, sofrer ajustes de expectativas e rebalanceamentos.

Seus objetivos serão alcançados um pouco mais tarde do que talvez você imaginou. Se você perdeu dinheiro na renda variável, é hora de estudar o porquê e dar início à recomposição de sua carteira. Dessa forma, você aproveitará as oportunidades típicas de momentos turbulentos.

Acredite: a crise financeira sempre aparecerá

Para que nossos planos de longo prazo deem certo, não devemos torcer para que crises não aconteçam. Devemos contar com elas, nos preparar para elas e, melhor, aproveitá-las para impulsionar nossas conquistas. Planos de longo prazo deveriam conter regras pouco mutáveis, que, se fossem realmente adotadas, nos ajudariam a sofrer menos.

Você deve sim investir em ações, mas uma parcela pequena de sua carteira (mesmo agora), a ponto de recuperar em meses, com os demais investimentos, as eventuais perdas que suas ações podem gerar nas crises futuras.

Invariavelmente, grandes ajustes vêm depois de grandes ganhos, o que faz sentido no longo prazo. Quem perdeu dinheiro no plano de previdência não deveria mudar sua estratégia. Assim, aproveitará a oportunidade de recuperação do mercado, mais cedo ou mais tarde.

Por outro lado, quem não perdeu deveria pensar em mudar sua estratégia para também aproveitar períodos de recuperação. Sempre diversificando, sempre levando em consideração que o objetivo é ganhar após os efeitos de crise.

Conclusão

A crise financeira nos mercados financeiros nos faz refletir que bons investimentos envolvem risco, exigindo dos investidores uma postura consciente sobre suas escolhas, para suportarem os diversos altos e baixos que conduzirão a um ganho diferenciado. O que determina os rumos do mercado, no longo prazo, são os fundamentos e não os movimentos especulativos.

A regra para sobreviver às turbulências nos investimentos é relativamente simples. Quando o bom momento dos investimentos e o recorde na bolsa de valores começar a surgir como manchete na mídia, segure seus impulsos e invista de maneira conservadora.

Prepare-se, portanto, para a crise financeira. É nela que os preços de bons ativos – como ações e imóveis – despencam e o investimento em ativos de risco mostra-se como um grande negócio.

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