Quem está em busca de melhores investimentos deve dominar o entendimento de alguns indicadores financeiros. São aquelas siglas que aparecem sempre nos noticiários, mas não são totalmente compreendidas pelo grande público. Há três delas que considero bem importantes para quem deseja investir com mais inteligência: CDI, IPCA e Selic.

Neste artigo, vou explicar o que são esses indicadores financeiros e mostrar como eles impactam suas escolhas de investimento e de crédito. É fundamental entender também como CDI, IPCA e taxa Selic se relacionam entre si.

Taxa Selic: o que é e como é definida

A sigla Selic significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia, onde são liquidadas todas as operações com títulos públicos federais do Brasil. O principal objetivo da taxa Selic, que é a taxa de referência utilizada nas negociações diárias nesse sistema, é funcionar como um ponto de equilíbrio para as movimentações da economia. As flutuações observadas na taxa Selic acontecem periodicamente, nos encontros do Copom (Comitê de Política Monetária).

Nessas reuniões, os membros do Copom votam para determinar a taxa que determine o equilíbrio do mercado financeiro brasileiro. A taxa Selic adequada para cada momento é aquela que proporciona a boa circulação do dinheiro na economia. Ou seja, o índice é um facilitador para as trocas de recursos entre pessoas físicas, pessoas jurídicas e instituições financeiras. A taxa Selic é, de acordo com a política monetária vigente, utilizada para equilibrar a inflação no Brasil.

O equilíbrio alcançado por meio do ajuste na taxa Selic permite que o governo brasileiro siga rolando sua dívida. Se a Selic fica muito baixa, investidores não compram títulos públicas; se fica muito alta, o investidor perde o interesse de investir nos negócios da economia. Vale lembrar que o investimento em títulos públicos está atrelado à dívida pública; ele é um empréstimo que as pessoas fazem ao governo, em troca de uma remuneração.

Taxa Selic muito baixa: consumo x produção

As reuniões regulares do Copom evitam que a taxa Selic fique muito alta ou muito baixa, pois ambos os cenários são perigosos à economia. Quando a taxa Selic fica excessivamente baixa, ocorre um desestímulo à poupança, porque os investimentos perdem rentabilidade. A consequência natural é um incremento no consumo; as pessoas tendem a utilizar seus recursos para adquirir bens e serviços.

O grande problema nesse cenário é a sobreposição do consumo sobre a produção do país. Em outras palavras, há muita demanda por produtos, que nã é acompanhada pela oferta (a capacidade de produção da indústria não dá conta do consumo). Resultado: preços elevados e um movimento de inflação.

Para evitar que isso aconteça, a taxa Selic não deve chegar a patamares tão baixos. Em paralelo, é prudente que o poder público estimule a produção antes de fomentar o consumo. Isso gera empregos, eleva a oferta de produtos no mercado e garante renda para que as pessoas possam, então, consumir mais.

Taxa Selic muito alta é sinal de alerta

O desequilíbrio na taxa Selic não se dá apenas quando ela está muito baixa. O movimento contrário também pode ter um efeito negativo sobre a economia brasileira.

Quando a taxa Selic está alta demais, as pessoas ficam estimuladas a poupar e reticentes em relação ao crédito. Esses dois fatores contribuem para esfriar a economia e prejudica o setor produtivo, que se vê obrigado a baixar preços.

Uma alta significativa na taxa Selic pode ser reflexo também de uma necessidade do governo. Quando faltam recursos para pagar a dívida pública, a taxa Selic é elevada para estimular o investimento em títulos públicos.

Isso leva os aplicadores a terem uma rentabilidade maior, mas também indica uma instabilidade no governo, que passa a pagar juros elevados para cobrir sua dívida. Quando essa tendência chega a um patamar insustentável, existe o risco de calote por parte do governo.

IPCA: a principal referência para a inflação

Como vimos, a taxa Selic funciona como um meio de regular a inflação brasileira e impedir que ela atinja níveis extremos. Mas o principal termômetro da inflação é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). A determinação do IPCA é feita com base em cálculos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O IPCA se baseia em uma cesta de produtos que compõem o orçamento mensal da maioria das famílias brasileiras. Não se trata da cesta básica, mas de uma composição mais ampla. Ela inclui não apenas alimentos e produtos do dia a dia, como também itens como energia e outros serviços. Essa grande soma forma a cesta de produtos em que o IPCA se baseia.

A importância do IPCA é funcionar como indicador da evolução dos preços no Brasil. Os números auferidos no IPCA apontam para onde a inflação está caminhando.

CDI: a taxa praticada entre bancos

Além de Selic e IPCA, há uma sigla igualmente relevante para as movimentações do mercado financeiro, o CDI. Se você investiu pelo menos uma vez, já ouviu falar no Certificado de Depósito Interbancário.

O CDI é a taxa praticada pelos bancos nas transações que realizam entre si. Por exemplo, se uma instituição financeira tomar dinheiro emprestado de outra, ela devolverá esse dinheiro com juros baseados no CDI.

O desempenho de produtos financeiros costuma ter o Certificado de Depósito Interbancário como referência. É possível se deparar com um fundo que remunera 101% do CDI ou um produto de renda fixa que remunera 105% do CDI. É importante se atentar para essas pequenas diferenças, pois são determinantes para indicar qual investimento é mais vantajoso.

A relação entre CDI e taxa Selic

Em um cenário normal, a taxa Selic e o CDI apresentam índices muito semelhantes. Investidores devem levar as duas taxas em consideração para fazer boas escolhas.

O tesouro Selic, por exemplo, rende aproximadamente 100% do CDI quando as duas taxas estão muito parecidas. O ideal, nesse caso, é buscar algum produto que renda um pouco acima do CDI – sempre com o cuidado de se atentar para a liquidez.

Há momentos na economia em que essa balança pode se desequilibrar um pouco. Quando existe muita demanda por financiamento ou uma política de facilitação do crédito, o CDI supera a taxa Selic.

O que considerar para investimentos de longo prazo

Investimentos focados no curto prazo, muitas vezes, são direcionados para o tesouro Selic – produto norteado pela variação da taxa Selic. Esse ativo está entre os mais procurados dentre os diferentes títulos públicos, muito por conta de sua liquidez imediata.

No entanto, o Tesouro Direto não se limita a investimentos de curto e médio prazos. Há um produto bastante indicado para quem está construindo uma carteira com foco no futuro. Trata-se do Tesouro IPCA, que baseia sua remuneração na evolução da inflação brasileira. Ou seja, se acontecer um movimento galopante devido à instabilidade da economia, o Tesouro IPCA preserva os investidores.

Selic, CDI e IPCA são indicadores financeiros fundamentais

Compreender a relação entre Selic, CDI e IPCA é um passo decisivo para investimentos mais inteligentes. Esses três indicadores econômicos são balizadores da economia brasileira e clareiam nossas escolhas financeiras. Aproveite e entenda também por que você deve fazer o rebalanceamento periódico de sua carteira de investimentos.

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