Existia uma grande família, que vivia separada por dois lugarejos. A distância entre eles era de aproximadamente 50 quilômetros.

No Natal, tradicionalmente uma família percorria a pé os 50 quilômetros para passarem as festividades juntos. Esta caminhada era revezada anualmente entre os dois lugarejos, pois o trajeto, além de longo, era feito em uma estrada asfaltada, sob o sol escaldante do verão, maltratando todos os “peregrinos” que percorriam o caminho.

Entre uma geração e outra, uma garota, cansada de fazer esta “ultramaratona”, queria saber o real motivo da caminhada. Claro, foi repreendida pelos demais membros da família, afinal, “como poderia afrontar uma tradição de décadas?”.

Com o intuito de resolver este mistério, a garota foi procurar seu bisavô. Por ser a pessoa mais velha da família, deveria saber o porquê da caminhada interminável.

“Minha filha”, ele disse, “Nós éramos muito pobres e não tínhamos cavalos, e a caminhada era feita em uma trilha estreita. Percorrer a pé era a única alternativa. Com certeza, se tivéssemos um carro e uma boa estrada, chegaríamos mais rápido”.

A tradição de Investir na Poupança

A história acima foi para ilustrar o que exatamente ocorre com a Conta Poupança na vida dos brasileiros.

Esta modalidade de investimento foi criada pelo Imperador Dom Pedro II, no século 19, destinada a pessoas de baixa renda. A remuneração na época era de 6% ao ano (a mesma taxa usada até 2012), sob a garantia do governo.

Até pouco tempo atrás, este investimento era o mais acessível (e seguro) para o público em geral, e essa “tradição” seguiu de geração em geração, até os dias de hoje. Como resultado, a conta poupança continua sendo um produto muito popular. Segundo uma pesquisa realizada pelo SPC/CDL, 69% dos investidores ainda aplicam seu dinheiro na conta poupança e um dos principais motivos é a facilidade e a popularidade do produto.

Nos últimos anos, tivemos a popularização de outros produtos, como os títulos públicos (através do Tesouro Direto), maior oferta de fundos, com a concorrência obrigando as instituições a diminuírem o valor de aplicação inicial, fora os bancos digitais, democratizando o bom rendimento de um produto como o CDB.

Se as pessoas financeiramente inteligentes daquela época acessassem os produtos financeiros de hoje, com certeza não investiriam na conta poupança. Afinal, eles só optaram pelo caminho mais lento por não ter oportunidades mais aceleradoras de alcançar os seus objetivos.

Porque ainda investir em Poupança?

Basicamente, existem 3 motivos que fazem com que as pessoas ainda apliquem dinheiro na conta poupança:

Motivo #1 – Segurança

O maior receio das pessoas em parar de investir na conta poupança é em relação à segurança. Mas, será que isto possui fundamento?

Os Bancos utilizam os depósitos realizados pelos investidores em Conta Poupança, CDB, LCI’s e LCA’s para repassar aos clientes que necessitam de recursos em forma de empréstimos ou financiamentos. Em caso de quebra da instituição financeira, todos os seus recursos, independentemente de estarem em qualquer um dos produtos acima (incluindo saldo em conta corrente), estarão cobertos pelo FGC até o limite de R$ 250 mil por instituição financeira e CPF.

Assim, temer aplicar em um ótimo CDB é um erro, uma vez que você estará garantido pelo FGC.

Em relação à segurança do Tesouro Direto, ele é emitido pelo Tesouro Nacional (Governo), a instituição no país que possui a menor probabilidade de não honrar suas dívidas. Isto deve-se aos seguintes fatos:

  1.  No momento que o governo não conseguir honrar suas dívidas, todo o ambiente econômico (inclusive bancos) também estará em situação crítica e provavelmente dando calotes antes do próprio governo, e
  2. Os títulos do tesouro direto representam menos de 1% da dívida total do governo, reduzindo muito a probabilidade de calote.  

E por último (e não menos importante) estão os Fundos de Investimento em Renda Fixa. Ainda que não são cobertos pelo FGC, também possuem um nível de segurança alto, pois boa parte da sua carteira está aplicada em títulos públicos (mencionados acima), reduzindo significativamente as chances de uma quebra.

Se o seu receio é com a segurança, entendo perfeitamente, pois a Conta Poupança é o produto mais conhecido pelos brasileiros.  Sugiro que inicie um estudo sobre investimentos a curto prazo, como Tesouro Selic, Fundos DI e CDB’s. Desta forma, você vai criar a confiança necessária para iniciar o processo de mudança.

Motivo #2 – Facilidade para Resgatar

Muitas pessoas aplicam em conta poupança pensando na facilidade da aplicação ou resgate.

Atualmente, com aplicativos cada vez mais intuitivos, todos os investimentos possuem a mesma facilidade de aplicação e resgate.

Existem alguns produtos que possuem data de carência de resgate, onde você não poderá sacar antes de uma data pré-determinada. Mas os sites, as lâminas, os gerentes e assessores de investimento tem a obrigação de lhe dar esta informação.

Outro ponto importante é sobre a forma que a conta-poupança gera o rendimento.

Cada aplicação na Conta Poupança, assim como um recém-nascido, possui seu “mesversário”. Cada vez que esta aplicação completa 1 “mês de vida”, recebemos os juros referentes aos 30 dias anteriores ao aniversário. Por outro lado, caso queira resgatar o dinheiro antes desta data, todos os juros acumulados neste período serão perdidos.

Só para exemplificar: se o aniversário da sua aplicação é dia 7, todo dia 7 você receberá os juros referentes aos 30 dias anteriores. Caso você queira resgatar o dinheiro no dia 6, por exemplo, não receberá os juros acumulados entre o último dia 7 até aquela data. Por isso é extremamente importante você analisar a data de aniversário da conta poupança antes de fazer qualquer tipo de resgate.

A data de aniversário é sempre da aplicação. Isto quer dizer que, ao investir na conta poupança em datas diferentes, você terá inúmeras datas de aniversário. Neste caso, ao realizar um saque, o débito ocorrerá das aplicações onde a data de aniversário é igual ou anterior à data de resgate, priorizando as datas mais próximas.

Se o objetivo é investir por apenas alguns dias, investir na conta poupança não é o melhor lugar para você. Neste caso, os Fundos de Renda Fixa DI e CDB’s são a melhores opções para investimentos a curto prazo.

Motivo #3 – Isenção de Imposto

Finalmente, e não menos importante, temos a famosa isenção do imposto de renda sobre rendimentos na conta poupança. Esta isenção dá uma falsa sensação que os outros produtos, por serem tributáveis, são menos rentáveis.

Entretanto isto não é verdade, por dois motivos:

1 – Existem produtos, como CDB’s, LCI’s, LCA’s, Tesouro Selic e até Fundos DI que, ao serem ofertados com uma boa taxa e dependendo da Taxa Selic, vencem a conta poupança em qualquer situação.

2 – Se você não resgatar o dinheiro exatamente no dia do aniversário, perderá a rentabilidade acumulada do último período. Se o dinheiro a resgatar não possui um planejamento, vale a pena pagar um imposto e migrar seus recursos para o investimento com apuração diária de juros (como mencionei no item 1).

Conclusão

Em uma outra época, não existiam alternativas de investimento para boa parte da população. Investir na poupança era o produto mais seguro, rentável e fácil para resgatar no Brasil. 

Entretanto, existe uma falsa crença, passada entre gerações, de que investir na poupança é a única opção. Porém, atualmente existem outras alternativas mais rentáveis, seguras e fáceis para aplicar.

No próximo artigo, apresentarei a regra atual da conta poupança. Com isto, teremos base para compararmos com os demais produtos disponíveis no mercado.

Até a próxima.

Posts relacionados

Deixe seu comentário 0

Você está a um passo para investir com mais segurança e tranquilidade.
Crie sua conta agora


Preencha com seu nome

Preencha com seu e-mail

Preencha com seu telefone

Está com dúvidas? Entre em contato com a gente!

ENTRE EM CONTATO

O Grupo BTG Pactual (“BTG Pactual”) não fornece opiniões jurídicas ou tributárias. Sendo assim, essa apresentação não constitui aconselhamento legal de qualquer natureza. Essa apresentação é um breve resumo de cunho meramente informativo, não configurando análise de valores mobiliários nos termos da Instrução CVM Nº 598, de 03 de maio de 2018, e não tendo como objetivo a consultoria, oferta, solicitação de oferta e/ou recomendação para a compra ou venda de qualquer investimento e/ou produto específico. Embora as informações e opiniões expressas aqui tenham sido obtidas de fontes confiáveis e fidedignas, nenhuma garantia ou responsabilidade, expressa ou implícita é feita a respeito da exatidão, fidelidade e/ou totalidade das informações. Todas as informações, opiniões e valores eventualmente indicados estão sujeitos à alteração sem prévio aviso. Ressaltamos também, que as opiniões expressas neste material refletem a opinião do respectivo profissional convidado e não necessariamente expressam a opinião do BTG Pactual, não devendo ser tratadas como tal. As informações contidas nesta apresentação não podem ser consideradas como única fonte de informações no processo decisório do investidor, que, antes de tomar qualquer decisão, deverá realizar uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos, face aos seus objetivos pessoais e ao seu perfil de risco ("Suitability"). Para maiores informações, acesse www.btgpactualdigital.com

Os riscos da operação com títulos de renda fixa (CDB, LCI e LCA) estão na capacidade de o emissor honrar a dívida; na impossibilidade de venda do título ou na ausência de investidores interessados em adquiri-lo; e na possibilidade de variação da taxa de juros e dos indexadores. É importante a adequada compreensão da natureza, forma de rentabilidade e riscos dos títulos de renda fixa antes da sua aquisição. CDB, LCI e LCA contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante a devolução do principal investido acrescido de juros referente a rendimentos, na hipótese da incapacidade de pagamento da instituição financeira, de até R$ 250 mil reais por CPF e por instituição financeira, considerando o limite de garantia de R$ 1 milhão para cada período de quatro anos.

FUNDOS DE INVESTIMENTO NÃO CONTAM COM GARANTIA DO ADMINISTRADOR, DO GESTOR, DE QUALQUER MECANISMO DE SEGURO OU FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO – FGC. RENTABILIDADE PASSADA NÃO REPRESENTA GARANTIA DE RENTABILIDADE FUTURA. E recomendada a leitura cuidadosa do Formulário de Informações Complementares e Regulamento do Fundo de Investimento pelo investidor ao aplicar seus recursos.

Ressaltamos que as opiniões e projeções referente COE, aqui apresentadas representam a opinião da área Structured Products do BTG Pactual, mas não necessariamente a opinião institucional do BTG Pactual, podendo o BTG Pactual, suas subsidiárias e/ou seus empregados podem, eventualmente, possuir uma posição comprada ou vendida, atuar em nome próprio e/ou como coordenador ou agente em operações envolvendo ações ou demais investimentos relevantes. COE NÃO CONTA COM GARANTIA DO ADMINISTRADOR, DO GESTOR, DE QUALQUER MECANISMO DE SEGURO OU FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO – FGC. RENTABILIDADE PASSADA NÃO REPRESENTA GARANTIA DE RENTABILIDADE FUTURA.

Os regulamentos completos dos Planos de Previdência da BTG Pactual Vida e Previdência S/A deverão ser lidos previamente a sua contratação. Os direitos e obrigações das partes estão definidos na Proposta e nos Regulamentos do plano contratado. É recomendada a leitura cuidadosa do regulamento do fundo de investimento pelo investidor ao aplicar seus recursos. O registro do plano na Susep não implica, por parte da autarquia, incentivo ou recomendação de comercialização. O Participante/Segurado poderá consultar a situação cadastral de seu corretor de seguros no site www.susep.gov.br, por meio do número de seu registro na Susep, nome completo, CNPJ ou CPF. BTG Pactual Vida e Previdência S/A - CNPJ: 19.449.767/0001-20. Processos SUSEP PGBL: 15414.901924/2014-44 e VGBL: 15414.901922/2014-55.

Fundos de investimento não contam com garantia do administrador do fundo, do gestor da carteira, de qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, do fundo garantidor de créditos FGC. A rentabilidade obtida no passado não representa garantia de rentabilidade futura. É recomendada a leitura cuidadosa do prospecto e regulamento do fundo de investimento pelo investidor ao aplicar seus recursos. Os investidores devem estar preparados para aceitar os riscos inerentes aos diversos mercados em que os fundos atuam e, consequentemente, possíveis variações no patrimônio investido. Os produtos e serviços aqui mencionados podem não estar disponíveis em todas as jurisdições ou para determinadas categorias de investidores. Adicionalmente, a legislação e regulamentação de proteção a investidores de determinadas jurisdições/países, pode não se aplicar a produtos e serviços registrados em outras jurisdições/países, sujeitos à legislação e regulamentação respectivamente aplicáveis, além de previsões contratuais específicas.

Anbima Anbima