Como ser um bom investidor? Faça escolhas consistentes

Fazer escolhas consistentes e duradouras são um dos grandes trunfos de quem administra bem seu patrimônio.

Se você também deseja entender como ser um bom investidor, recomendo que leia este artigo até o fim. Vou explicar quais escolhas podem ser aprimoradas em sua vida e como elas impactam o orçamento e os investimentos.

Rentabilidade está associada à liquidez

Quem busca investimentos mais rentáveis em renda fixa deve prestar bastante atenção na liquidez de cada um dos produtos. Em geral, os CDBs e fundos de renda fixa que oferecem maior retorno são aqueles que têm menor liquidez.

Ou seja, o aplicador abre mão de resgatar seu dinheiro em curto e médio prazo em troca de uma remuneração substancial mais à frente. Por que isso acontece?

Em fundos de investimento, gestores são responsáveis por administrar o dinheiro de várias pessoas. As variações do mercado provocam resgates não planejados, fruto do efeito manada, o que impacta o desempenho dos produtos e pode derrubar a rentabilidade durante certos períodos.

Investidores que abrem mão da liquidez permitem que os gestores construam estratégias de longo prazo, com menos movimentações. Isso garante uma espécie de blindagem contra turbulências do mercado e possibilita um ganho mais robusto depois de um período mais longo.

Escolha consistente é aquela alinhada a um objetivo

Na dúvida entre rentabilidade e liquidez, a opção pela primeira não necessariamente será a mais consistente. Uma boa escolha será aquela que atender aos objetivos da pessoa com o investimento.

Se a sua ideia for, por exemplo, construir uma reserva de emergências, deve priorizar rentabilidade ou liquidez? Muitos podem ficar tentados a responder rentabilidade, mas isso contraria o objetivo de formar uma reserva.

A liquidez deve ser o foco nesse caso, pois o dinheiro precisa ser resgatado rapidamente em caso de emergência ou de uma boa oportunidade de compra à vista e com desconto. Já se o objetivo do investimento é formar uma reserva para a faculdade do filho, a rentabilidade assume papel preponderante e a liquidez passa a ser secundária. Por isso, a resposta de como ser um bom investidor varia de acordo com o perfil e meta de cada um.

Resiliência ajuda a consolidar as escolhas

Para atingir objetivos de prazo mais longo e conseguir mantê-los, muitos investidores optam pelos investimentos de menor liquidez. Mas essa estratégia só funciona de forma saudável quando essas pessoas têm a flexibilidade necessária.

Em outras palavras, conseguem se manter estáveis enquanto o prazo de resgate do dinheiro de determinado investimento não chega.

Como fazer isso? Com resiliência. Pessoas e orçamentos resilientes são capazes de passar por adversidades sem se deixar derrubar, mantêm-se firmes durante as tormentas.

No Brasil, em especial, manter-se resiliente é uma escolha ainda mais valiosa. Basta pensarmos na instabilidade econômica vivida em tempos recentes. Um país suscetível a crises deve ter investidores capazes de se manter estáveis diante das turbulências.

Outra particularidade brasileira é a propensão a mudanças de regras e cenários, que pode surpreender pessoas menos resilientes.

Como a resiliência se aplica no orçamento

A ideia de se manter firme diante das instabilidades e dos imprevistos é bastante útil no planejamento financeiro. Por isso, é recomendável ser resiliente também no controle do orçamento doméstico.

Para conquistar maior resiliência nos orçamentos, o ideal é reduzir os gastos mensais fixos. Uma moradia e um automóvel mais simples podem ser um ótimo começo para esse processo de enxugamento.

A diminuição passa também por limitar as compras a prazo e a quitação dos compromissos assumidos anteriormente.

Além disso, a redução dos gastos fixos confere maior flexibilidade aos gastos variáveis. Nesse grupo, entram os gastos com qualidade de vida, lazer, estudos e outras formas de aprendizado, por exemplo.

O sacrifício feito nos cortes de gastos fixos é compensado pelas experiências e pelo lazer dos gastos variáveis.

Por fim, a readequação do orçamento também garante uma maior proteção contra imprevistos. Quando surgir algo que foge ao planejado, basta postergar ou cortar alguns dos gastos variáveis. Essa capacidade de poder postergar gastos é que mantém o orçamento resiliente, ou seja, capaz de ser manobrado diante de imprevistos, sem que precisemos resgatar recursos que estão construindo planos de longo prazo.

Um bom exemplo da falta de resiliência

Quem não gostaria de oferecer tudo de melhor para sua família? Uma ótima casa, um carro do ano, viagens regulares… É natural que as pessoas desejem isso.

A questão é quando a qualidade de vida que você quer proporcionar está acima da sua condição atual. Escolhas inconsistentes – que extrapolam os limites do orçamento – deixam a família mais exposta a incertezas.

Quando surgir um imprevisto, dívidas podem se avolumar diante das restrições criadas por um orçamento inflexível.

E mais: ainda por conta do engessamento do orçamento, reservas em investimentos podem ter de ser sacrificadas para honrar compromissos imediatos. Isso revela a falta de consistência tanto nas escolhas de consumo quanto nas de investimentos.

Escolhas sustentáveis de consumo

O exemplo anterior mostra como a falta de discernimento nas escolhas de consumo pode trazer problemas futuros. Uma forma de escapar dessa realidade incômoda é preocupar-se em fazer escolhas sustentáveis de consumo.

Optar por um carro mais simples, por exemplo, pode aliviar bastante um orçamento inflexível. Vale lembrar de todos os gastos que um automóvel envolve, desde o combustível até o IPVA e a revisão periódica. A adequação da moradia também é decisiva e permite uma redução drástica nos gastos fixos.

Privação excessiva? É tudo uma questão de adaptação e inteligência para consumir. Em ocasiões oportunas, você e sua família podem alugar um carro maior para viajar, por exemplo.

Quer receber os amigos, mas seu apartamento é muito pequeno? Alugue o salão de festas ou área gourmet do condomínio, eventualmente.

Veja que escolhas sustentáveis e inteligentes não são fatores totalmente limitantes. Mas as pessoas precisam refletir para consumir melhor sem perder qualidade de vida.

Como ser um bom investidor? Cuide do orçamento

Um dos segredos a respeito de como ser um bom investidor está no controle do orçamento doméstico. Conforme expliquei acima, a redução dos gastos fixos traz maior flexibilidade e capacidade de adaptação.

Outra vantagem em ter um orçamento mais saudável é a maior abertura a investimentos de longo prazo, com menor liquidez e mais rentáveis. Quando os gastos fixos deixam de ser sufocantes, torna-se viável abrir mão da liquidez em nome da rentabilidade.

Orçamentos resilientes, ou mais flexíveis, são uma grande vantagem em planos de longo prazo. Primeiro, por terem menor risco de entrar no vermelho; segundo, pela possibilidade de escolhas de investimento mais consistentes.

Comece a fazer escolhas consistentes de investimento

Percebeu que compreender sobre como ser um bom investidor passa pela capacidade de fazer escolhas consistentes de consumo? O ajuste no orçamento doméstico é fundamental, mas você já pode começar a mapear as possibilidades do mercado.

Saber escolher investimentos com consistência, ou seja, adequados às limitações de seu orçamento, é outra virtude de quem aprendeu como ser um bom investidor. Minha sugestão é que você aprenda mais a respeito dos diferentes tipos de investimentos. Neste artigo, ensino como escolher o investimento mais rentável.

Gustavo Cerbasi
Gustavo Cerbasi:

Gustavo Cerbasi é especialista em inteligência financeira, autor de 15 livros com mais de 2 milhões de exemplares vendidos, incluindo os best-sellers Casais Inteligentes Enriquecem Juntos e Investimentos Inteligentes.

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