Coluna Gustavo Cerbasi

Como o 13º salário dificulta o planejamento financeiro

Se você é empregado, provavelmente o 13º salário já salvou suas contas em algum momento. Diante do mau planejamento de muitos brasileiros, esse dinheiro extra que chega no final do ano costuma ser providencial. Mas o ponto que quero abordar neste artigo é como o 13º prejudica o planejamento financeiro das famílias.

Você já parou para pensar na razão pela qual recebe o décimo terceiro salário?

13º salário e o mito do dinheiro “extra”

Um erro comum é entender que o 13º salário é um bônus a que o trabalhador tem direito anualmente. Não é, pois, o argumento para sua criação na década de 1960 foi compensar as semanas extras dos meses mais longos (com mais de quatro semanas).

Não se trata de um dinheiro extra, mas de uma espécie de poupança que fica retida durante o ano e é entregue ao trabalhador sem nenhum rendimento no período. Com essa informação, é mais fácil compreender por que o 13º salário prejudica o planejamento financeiro dos brasileiros.

O argumento para o pagamento no fim do ano foi ajudar a evitar que as pessoas se endividassem diante dos gastos concentrados nessa época. O problema é que isso nunca funcionou como planejado, e o 13º funciona – há meio século – um extintor de incêndio para a maioria das famílias.

13º salário cria ilusão e dificulta o planejamento

O dinheiro que deveria servir para quitar os gastos obrigatórios de janeiro se torna uma espécie de redenção para cobrir dívidas acumuladas ao longo do ano.

O que sobra do pagamento das dívidas normalmente é destinado à celebração de Natal e Ano Novo, ou seja, as contas obrigatórias de janeiro não ficam nem em segundo plano. Isso comprova que o 13º salário não cumpre a sua missão de facilitar o pagamento de gastos pontuais previsíveis como IPTU e IPVA.

Pior do que isso, a garantia do recebimento de um dinheiro que as pessoas encaram como “extra” as mantém sem controle das próprias finanças. É como esperar que a ajuda quase divina do décimo terceiro vá corrigir as falhas de planejamento cometidas durante o ano todo.

A solução? Extinguir o 13º salário!

A ideia de acabar com o 13º salário pode assustar as pessoas que veem seus salários cada vez mais achatados em cenários de crise. No entanto, a extinção desse suposto benefício deveria se traduzir em um aumento proporcional do salário. Isso significa que o décimo terceiro seria diluído ao longo dos 12 salários que recebemos anualmente – o ciclo inverso ao que foi feito quando o 13º surgiu.

A vantagem imediata dessa medida seria o aprimoramento do planejamento financeiro das famílias, que se forçariam a gerir melhor o dinheiro por saberem que não haverá um extintor em dezembro para salvá-las de erros cometidos ao longo do ano.

Outro ponto fundamental diz respeito ao comércio e às escolhas de consumo das pessoas. O impacto das sazonalidades no Brasil faz com que se gaste mais no Natal e que haja uma retração durante o ano. Com isso, o comércio tem menos lucros e as pessoas gastam seu dinheiro com menos qualidade, já que pagam preços elevados quando o fim do ano se aproxima.

Com o fim do 13º salário, as pessoas poderiam comprar mais ao longo do ano, a preços justos, e os comerciantes poderiam se planejar melhor por não dependerem fundamentalmente das sazonalidades para fechar as contas.

Não deixe que o 13º salário prejudique seu planejamento

Enquanto a legislação não muda, a melhor forma de não ficar na dependência desse dinheiro é se organizar sem contar com ele. Com isso, você poderá gerir com mais tranquilidade o décimo terceiro ou até aplicar uma parcela desse valor.

Um dos caminhos para não depender do 13º salário é manter um orçamento equilibrado.

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