Onde investir com a Selic em queda?

O primeiro impacto que o investidor sente com a Selic em queda é a redução da rentabilidade de suas aplicações em renda fixa.

Como a Selic é a taxa básica da economia e o CDI é seu espelho, todas as aplicações que possuem remuneração atrelada a um dos dois indicadores são impactadas imediatamente.

Selic em queda: o impulso inicial do investidor

Muitos investidores ficam extremamente ansiosos e desorientados com os movimentos da Selic. Mas não há motivos para pânico.

É importante ter em mente que a Selic em queda é bom para a economia, para as empresas e para a geração de empregos.

Nesse contexto é possível, com inteligência, buscar investimentos mais rentáveis, mas é preciso agir com calma e considerar outros pontos além da rentabilidade.

Rentabilidade nominal x rentabilidade real

Qual é a rentabilidade que deve ser avaliada pelo investidor? A rentabilidade nominal ou a rentabilidade real?

A rentabilidade nominal é aquela expressa no percentual final de valorização de um investimento.

Exemplo:

“Apliquei 100 mil reais há um ano. Meus 100 mil renderam 10 mil e tenho agora 110 mil reais. Minha rentabilidade foi de 10% no período”.

Já a rentabilidade real mostra ao investidor quanto o seu dinheiro rendeu em um determinado período acima da sua simples correção. Ou seja: quanto ganhou em poder de compra.

Exemplo:

“Apliquei 100 mil reais há um ano. Meus 100 mil renderam 10 mil e tenho agora 110 mil reais. Porém a inflação foi de 5%. Assim a minha rentabilidade real foi de 4,76%* no período”.

* A fórmula da rentabilidade real é:

[(1+ rentabilidade nominal) / (1+ inflação)-1] x 100

[(1+ 0,10) / (1+0,05)-1] x 100 = 4,76%

Ou seja: independente de quanto tenha sido a rentabilidade nominal do investimento, o aumento do poder de compra foi de 4,76% no período.

Caso real:

“O que foi melhor? Ganhar 13,24% (CDI de 2015) com inflação de 10,67% ou 9,93% (CDI de 2017) com inflação de 2,94%?”

Usando a fórmula de rentabilidade real, você poderá concluir que o ganho real com o CDI em 2015 foi de 2,32%, enquanto que o ganho real com o CDI em 2017 foi de 6,79%.

Ou seja: apesar da Selic em queda, o ano de 2017 proporcionou um ganho real maior ao investidor do que 2015, com Selic mais alta.

Selic em queda: a importância do planejamento financeiro pessoal

Investir é um meio pelo qual objetivos da vida real podem ser alcançados.

Por mais que isso seja óbvio, percebo que muitos investidores se perdem na excessiva quantidade de informações produzidas pelo mercado financeiro, cenários econômicos, taxas, gráficos, relatórios e ficam aprisionados em um looping mental infinito.

Manter-se informado sobre tudo isso é ótimo! Porém isso pode ser desnecessário se o investidor esquecer daquilo que deve estar no centro de sua tomada de decisão: os seus sonhos.

Um investimento será bom ou ruim de acordo com a sua possibilidade de atender necessidades reais na vida de um investidor, tais como: estar preparado para emergências como uma eventual perda de emprego, trocar de carreira, trocar de carro, comprar uma casa, pagar a educação dos filhos, fazer cursos no exterior, passar um ano velejando pelo mundo, abrir uma empresa ou alcançar a sua independência financeira. Todos esses sonhos possuem prazos de maturação, assim como os investimentos.

Eu classifico os investimentos da seguinte forma:

Investimentos para curto prazo (até 2 anos)

  • Fundo DI
  • Fundo de renda fixa – benchmark CDI
  • CDB com liquidez diária
  • CDB com carência de até 2 anos
  • LCIs e LCAs de até 2 anos
  • Tesouro Selic

Investimentos para o médio prazo (2 a 5 anos)

  • CDB com carência entre 2 e 5 anos
  • Outros ativos de renda fixa com essa carência (LC, LF, RDB, etc)
  • Fundo de renda fixa
  • Fundo multimercado de baixa ou média volatilidade
  • Tesouro prefixado

Investimentos para o longo prazo (acima de 5 anos):

  • Debênture
  • CRI e CRA
  • Fundo de renda fixa – benchmark IMA-B
  • Fundo multimercado de média ou alta volatilidade
  • Ações
  • Fundo de ações
  • Fundo imobiliário
  • Tesouro IPCA+

Caso prático 1:

“Ok, a Selic está em queda! Mas eu já tenho uma reserva de emergência para suprir minhas necessidades financeiras em caso de imprevistos? ”

Se você não tem, então a queda da Selic é irrelevante para você, porque o seu principal objetivo é ter liquidez e segurança. E isso ocorrerá em investimentos de curto prazo associados à Selic ou ao CDI.

Caso prático 2:

“Ok, a Selic está em queda, eu já tenho minha reserva de emergência, mas pretendo aplicar uma outra grana agora para trocar de carro no final do ano! ”

Então não há o que analisar. Você continua precisando posicionar de investimentos com horizonte de curto prazo atrelados à Selic e ao CDI.

Caso prático 3:

“Ok, a Selic está em queda, eu já tenho minha reserva de emergência e já tenho também os recursos para os meus projetos de até 2 anos. Mas tenho uma grana adicional para aplicar e posso fazer isso visando prazos mais longos”.

Perfeitamente! Então nesse caso, o seu planejamento permite buscar alternativas num cenário de Selic em queda, já que você não precisará desse recurso no curto prazo.

Portanto, perceba como o planejamento individual define se você pode ou não tomar decisões baseadas no cenário de Selic em queda. Se sua necessidade for de curto prazo, não adianta escolher um investimento que se beneficia da queda da Selic, mas que tenha horizonte de longo prazo.

Selic em queda: afinal quais são os investimentos render mais?

Ações (ações e fundos de ações)

Em momentos de Selic em queda, o consumo das famílias acelera e o custo de captação para as empresas diminui. Isso significa um aumento das expectativas de lucros das empresas. Logo, queda de Selic beneficia o mercado de ações.

Renda fixa prefixada (tesouro prefixado, tesouro IPCA+, CDB, LCI, LCA, LC, etc)

Em momentos de Selic em queda, travar um investimento em renda fixa prefixada evita que ele perca rentabilidade.

Porém deve se tomar um cuidado aqui: existe um risco em prefixar taxas quando a Selic está muito baixa, pois caso o movimento se modifique e a Selic volte a subir, você permanecerá prefixado numa taxa baixa. O melhor momento de prefixar é antes – ou no início – do movimento de queda de Selic.

Fundos multimercados

Os fundos multimercados proporcionam mais liberdade aos gestores, que podem buscar alternativas mais rentáveis navegando entre a renda fixa e a renda variável, conforme as oportunidade de mercado se apresentem.

Conclusão

É possível melhorar a rentabilidade dos seus investimentos em um cenário de Selic em queda. Porém isso deve ser ancorado no seu planejamento pessoal e no deslocamento do grau de risco de sua carteira.

Para tomar sua melhor decisão, sugero que conte com a assessoria do BTG Pactual digital!

André Bona

Andre Bona
André Bona:

André Bona é educador financeiro, criador do Blog de Valor - site de educação financeira independente - e possui mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro tendo auxiliado milhares de investidores a investirem melhor seus recursos.

Deixe seu comentário 2

  1. Para não deixar o dinheiro parado na poupança, sendo que a ideia é resgatar em 1 ou 2 meses, acharia interessante investir esse dinheiro no Tesouro Selic no caso de corretora que não cobre nenhuma taxa?? Ou nesse caso é melhor manter na poupança mesmo?

    1. Patricia, o Tesouro Selic rende mais do que a poupança. Pela nova regra, a poupança está rendendo 70% da Selic, frente a 100% no tesouro, mesmo com a isenção de IR da poupança, vale mais a pena o Tesouro. No BTG Pactual digital você tem taxa zero: sem custo para abertura, manutenção de conta e envio de TED ou DOC.