Coluna André Bona

O impacto das eleições nos investimentos de renda fixa

Durante o período eleitoral, é bastante comum que o cidadão – de maneira geral – tenha muitas dúvidas sobre o futuro do Brasil e a linha de governo a ser adotada pelo próximo Presidente da República no que se refere às questões econômicas, privatizações, questões sociais, saúde e educação. E todo este contexto de indefinição acaba gerando uma boa dose de incerteza em qualquer um.

Enquanto a população se preocupa com eventuais altas nos impostos, com uma possível instabilidade no emprego, entre outras questões que acabam impactando no dia a dia de todos, as empresas se preocupam em decidir pela expansão ou minimização dos investimentos em função do que pode ocorrer após as eleições.

Estas preocupações durante o período eleitoral são absolutamente legítimas – sobretudo porque é neste momento que os candidatos costumam colocar na mesa suas propostas para o país durante os próximos quatro anos. E é neste momento que o cidadão busca compreender e identificar um pouco do que se pode esperar em caso de vitória deste ou daquele candidato.

Mas, você já parou para avaliar qual seria o impacto das eleições nos investimentos de renda fixa? É sobre este assunto que vou falar no artigo de hoje.

A questão da previsibilidade

Quando falamos em investimentos e no impacto das eleições nos investimentos em renda fixa, é preciso entender, em primeiro lugar, que a economia e os investidores precisam ter algum tipo de previsibilidade.

Imagine, por exemplo, que você tem uma empresa. Neste exemplo hipotético, pense que seria preciso fazer um plano de investimentos de médio e longo prazo, que lhe permitisse gerar retornos ao negócio ao longo do tempo.  Desta forma, seria possível garantir certa previsibilidade em relação ao futuro – e até mesmo em relação ao impacto do governo e de suas respectivas decisões em sua empresa.

As decisões vão sendo tomadas, portanto, com base em uma certa previsibilidade.  O mesmo ocorre com pessoas físicas e com investidores que costumam realizar aportes no mercado financeiro.

A previsibilidade é importante porque, quando o cenário está bastante claro e objetivo – e todos os agentes econômicos sabem o que esperar do governo, tudo fica mais palpável, permitindo que a leitura do cenário seja realizada de maneira mais simples. Quando existe, no entanto, possibilidade de modificações neste contexto, o cenário se torna incerto.

E são estas incertezas que tendem a gerar certa volatilidade e oscilação no preço dos ativos – impactando nos investimentos.

Os impactos das eleições nos investimentos de renda fixa

Neste cenário eleitoral, o segmento dos investimentos é altamente impactado. A renda fixa, por exemplo, sofre influencia direta da inflação. E, dependendo da visão de um governante, será adotado um determinado comportamento em relação à administração da inflação do país – que pode ser mais leniente ou mais rigorosa.

A influência nos investimentos de renda fixa ocorre porque, em uma situação de alta na inflação, um dos principais instrumentos utilizados para contenção da inflação no Brasil acaba sendo a Taxa Selic – referência para o mercado financeiro e para os investimentos, principalmente os investimentos de renda fixa. Esta taxa de juros básica da economia brasileira tende a oscilar de acordo com a inflação – alterando também a rentabilidade real (rentabilidade nominal já descontada a inflação) de um investimento.

Por isso, em uma situação na qual não se sabe qual candidato vencerá a disputa eleitoral – nem as possíveis atitudes dos candidatos à Presidência quanto à condução da política monetária, controle de inflação e política de juros, é comum que os investidores mantenham altas expectativas – mas também grandes dúvidas – sobre o que está por vir em relação à oscilação da Selic, à inflação e, por fim, em relação à rentabilidade real dos seus investimentos em renda fixa.

Títulos de renda fixa x cenário político

Na prática, este cenário de incertezas  eleitorais não impacta, em um primeiro momento, no patamar atual da taxa Selic, mas acabam impactando na expectativa da Selic futura. Essa expectativa se dá pela negociação de contratos futuros – que são realizadas na Bolsa de Mercadorias e Futuros.

Estes contratos futuros são contratos firmados pelas instituições financeiras, e possuem prazos mais longos. É possível encontrar contrato de juros futuros para os mais diversos períodos –como os juros futuros para 2021, 2025, entre outros. Nestes contratos, são embutidas as expectativas para o futuro desta taxa de juros.

Alguns títulos do Tesouro Direto – como os títulos prefixados, e aqueles que possuem componentes – como é o caso do Tesouro IPCA, por exemplo, têm vencimento mais longo e, por conta disso, suas taxas também oscilam ao longo do tempo, de acordo com a projeção da Selic para determinado período.

Imagine que um determinado título prefixado do Tesouro Direto está sendo negociado a uma taxa específica. Agora, pense que os contratos futuros dos juros para um determinado período – por exemplo, para vencimento em 2021 – tiveram suas taxas elevadas em dois pontos percentuais. Esta alteração significa que a expectativa do mercado para aquele período, em especial, é para um aumento nas taxas de juros.

Esta modificação impactará, consequentemente, os títulos do Tesouro Direto – que serão precificados por essa alteração e começará a pagar taxas maiores. Na sequência – e de maneira natural, outros diversos títulos emitidos pelas instituições privadas – como os CDBs, LCIs, LCAs, LFs, entre outros, acabam elevando as taxas de juros oferecidas, buscando oferecer remunerações competitivas para o investidor.

O mesmo ocorre de maneira contrária: se as projeções de juros são reduzidas, a rentabilidade dos investimentos em renda fixa também é impactada.

Por isso, qualquer indefinição no cenário político no momento das eleições faz com que o mercado – e os investidores – percam a tão importante previsibilidade em relação à condução econômica no próximo governo, não sendo possível projetar um cenário mais assertivo para o futuro dos juros – que deverá variar de acordo com a ideologia econômica de cada candidato.

As eleições e os seus investimentos

Em resumo, as oscilações resultantes das incertezas políticas geram impacto nos contratos de juros futuros – que, por sua vez, impactam nas taxas de juros praticadas pelos títulos públicos prefixados e títulos IPCA do Tesouro Direto. Esta movimentação interfere, como conseqüência, em outros títulos do mercado de renda fixa que tomam os títulos do Tesouro como base.

Diante deste cenário de incertezas oriundo das eleições e da importante ligação entre a condução da política monetária e econômica e os investimentos de renda fixa, é imprescindível que o investidor compreenda os impactos que as eleições podem gerar nos seus investimentos. As escolhas políticas que o investidor fizer, portanto, impactarão nos seus investimentos.

É fundamental, no entanto, que o investidor saiba que, passado este período de incertezas políticas, a questão da previsibilidade tende a vigorar novamente no mercado – permitindo que o investidor volte a projetar, de maneira mais firme, a rentabilidade dos seus investimentos em um horizonte mais longo de tempo.

Como escolher a melhor instituição para realizar meus investimentos?

Para tomar decisões de investimentos mais adequadas e em linha com seus objetivos, você deve contar com uma boa plataforma digital e assessoria de investimentos gabaritada. Escolher um banco de investimentos conceituado e com expertise comprovada pode lhe ajudar a encontrar as melhores opções de investimentos, de acordo com seu planejamento pessoal.

Por isso, minha recomendação é a plataforma do BTG Pactual digital, onde é possível ter acesso a produtos de diversos bancos e contar com toda a expertise de mais de 35 anos em investimentos e gestão de recursos que só o banco de investimentos BTG Pactual pode oferecer.

Se o seu objetivo, no entanto, é realizar compra e venda de ações, basta utilizar o home broker do BTG Pactual digital.

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