Na semana passada, aqui no Blog do BTG Pactual digital eu falei sobre como maximizar os lucros no mercado de ações e expliquei o que é o Stop Gain, que nada mais é do que uma maneira de realizar e preservar os lucros obtidos diante de uma potencial modificação nas cotações ou fundamentos de empresas.

Porém, como afirmo repetidamente, o mercado de ações é um mercado de renda variável e nada adianta você apenas saber como salvar seus lucros se você também não souber como minimizar perdas, porque em determinados momentos elas realmente vão acontecer e isso é normal nesse mercado.

Uma das maneiras de gerenciar o risco do seu investimento em ações é a utilização do chamado Stop Loss.

Minimizando perdas: Stop Loss

A lógica do Stop Loss é a seguinte: Eu sei que as ações podem tanto se valorizar quanto se desvalorizar, mas eu posso determinar um nível de perda máxima e assim gerenciar meu risco. Eu posso determinar, por exemplo, que aceito uma desvalorização máxima de 5% desta ação e, uma vez que essa queda seja atingida, eu simplesmente zero a minha posição e assumo o prejuízo. Ou seja: eu aciono o Stop Loss.

No jargão do mercado, quando um investidor aciona um stop loss ele diz: “stopei ativo x” ou “fui stopado na minha posição do ativo y”.

Mas não é melhor esperar a recuperação do preço da ação?

Pense comigo: se uma ação cai 20% e sai de 50 reais para 40 reais, agora você precisa que a ação suba 25%. Então o primeiro ponto a observar é que subir a montanha requer mais esforço do que descer.

Se você tiver a garantia de que o preço da ação vai realmente se recuperar, tudo bem! O ponto é que ninguém pode garantir isso a você!

Diante dessa incerteza, a ideia de stopar é justamente a de minimizar perdas. Neste mesmo exemplo, vamos supor que você tenha comprado uma ação a 50 reais e tenha colocado um Stop Loss de 5% para sua operação, o que significaria uma queda de 2,50. Uma vez que a cotação atingisse 47,5 você seria “stopado” e sairia da operação. Na sequência a ação poderia continuar caindo até os 40 reais que você estaria protegido. Enquanto quem segurou as ações está amargando os 20% de prejuízo, quem “stopou” saiu da operação com apenas 5% de perdas.

A ideia do Stop Loss é essa: limitar o prejuízo de uma posição.

Para ilustrar essa ideia de gerenciamento de risco, veja o gráfico abaixo com o ativo PETR4, que retirei da minha tela de gráficos da área logada do BTG Pactual digital.

Se um determinado investidor resolveu adquirir ações de PETR4 em meados de 2008 e, sem ter um stop loss definido, resolveu permanecer na posição até que o preço se recuperasse, ele estaria esperando até hoje! Ele adquiriu ações da PETR4 próximo aos 36 reais e, depois de mais de 10 anos, elas ainda não recuperaram o preço! Enquanto escrevo esse artigo elas estão sendo negociadas perto dos 25 reais (30% abaixo do preço), sendo que chegaram a custar 4 reais no início de 2016, o que equivaleria, naquele momento, a um prejuízo de quase 90% do patrimônio investido.

Concluindo, comprar uma ação e, diante de uma queda, simplesmente esperar que ela recupere seu preço pode ser uma atitude de altíssimo risco para o seu patrimônio. É preciso ter alguma estratégia para isso.

E como definir o Stop Loss?

O Stop Loss pode ser financeiro, por gráfico ou por fundamento.

O Stop Loss financeiro é aquele em que você define um limite de perda financeira aceitável e determina o valor de saída caso o mercado vá no sentido contrário da sua expectativa inicial. Esse stop, quando utilizado, está muito mais associado ao sentimento de conforto e desconforto do investidor. Se ele não tolera perdas acima de determinado nível, sejam quais forem os motivos dessa perda, ele pode utilizá-lo.

O Stop Loss pelo gráfico é utilizado por investidores que utilizam a análise técnica para a tomada de decisão. Se a estratégia utilizada é a de médias móveis, onde a compra e a venda se dão nos cruzamentos de médias, por exemplo, então ele acionará o Stop Loss quando os cruzamentos de médias indicarem. Caso ele opere por suporte e resistência e faça uma compra por suporte, o Stop Loss poderá ser acionado no caso da perda do respectivo suporte. Repare que no caso da análise técnica, não é um Stop Loss financeiro, mas um Stop caracterizado pela avaliação gráfica das operações.

Já o Stop Loss por fundamento pode ser acionado independente de perdas financeiras, independente das condições do gráfico, mas quando algo muda na realidade da empresa. Vamos supor que você tenha ações de uma determinada empresa porque tem expectativa de que ela tenha determinada lucratividade. Porém novas tecnologias surgem, concorrentes aparecem e agora, numa nova avaliação, você percebe que a lucratividade operacional daquela empresa pode não ser aquela mesma que você esperava. Assim, ela pode deixar de ser interessante na sua avaliação e você resolver “stopar” a posição, mesmo que no momento ela esteja com perdas na sua carteira, pois as novas condições te fazem concluir que as perdas em caso de permanência podem ser ainda maiores.

Então o Stop Loss consiste em limitar as perdas e evitar que o investidor passe a agir como um torcedor esperando uma recuperação apenas pela sua emoção.

Alguns alertas sobre o uso do Stop Loss

Acionei o Stop Loss, realizei o prejuízo e o mercado subiu!

Se você resolver utilizar o Stop Loss financeiro, por análise técnica ou fundamento, entenda que o objetivo desse mecanismo é te proteger de perdas maiores. Porém isso não garante que o ativo em questão não possa se recuperar rapidamente e subir. Neste caso o sentimento do investidor pode ser de frustração, porque ele realiza o prejuízo e depois o ativo se valoriza e ele pensa: “se eu não tivesse acionado o Stop Loss, hoje eu estaria positivo”. Naturalmente isso pode e vai acontecer muitas vezes. Tenha ciência disso e saiba que você não tinha como prever essa situação quando o stop foi acionado. Portanto, ao usar o Stop Loss, você está trocando a possibilidade de uma reversão a seu favor pela segurança de evitar uma queda mais acentuada.

Programei o Stop Loss, mas o mercado pulou o meu Stop Loss!

Imagine que você tenha feito uma compra por suporte de VALE3 no dia 04/01/2019 ao preço de 50,00. Então você define uma perda financeira máxima de 5%, que é um pouco abaixo da perda desse suporte. Seu Stop Loss está definido caso VALE3 caia até 47,50 e seu objetivo da operação é na faixa dos 62,00. Pronto. A estratégia está toda montada. Inclusive você já deixa o seu Stop Loss programado no seu home broker para caso o mercado atinja esse preço e você esteja ocupado com seu trabalho ou outras atividades, você consiga sair da operação limitando sua perda. Veja o gráfico abaixo.

Tudo vai caminhando bem, o papel vai se valorizando nos dias seguintes e eis que temos a tragédia de Brumadinho (MG). No dia 28/01, o papel já abre negociações abaixo dos 45,00, com perdas que chegam a 23% com relação ao dia anterior. Aí você pergunta: “E o meu Stop Loss, foi acionado?” A resposta é: não. O mercado pulou o seu Stop. Não houve negociação nenhuma nos preços do seu Stop e você não teve como ser protegido. Veja abaixo:

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Estou fazendo muitas operações com o uso do Stop Loss

Investidores que colocam limites de perdas muito curtas em suas estratégias tendem a ser “stopados” várias vezes sendo obrigados a se reposicionar com muito mais frequência, o que gera uma conduta mais ativa nas compras e vendas e mais custos operacionais. Portanto, tente dosar o uso do Stop Loss de acordo com seu perfil e sua estratégia para que o excesso de operações não seja prejudicial.

Conclusão

O Stop Loss serve para gerenciar seu risco em operações de renda variável definindo limites de perda. Isso evita que você perca a racionalidade da sua decisão de investimentos e estabeleça métodos claros de gerenciamento de risco.

O Stop Loss pode ser utilizado tanto para investidores mais agressivos de curto prazo (traders), que normalmente utilizam análise técnica, quanto para investidores de longo prazo que se baseiam em fundamentos. Neste caso, a saída será feita em função de mudanças nos fundamentos e não em função de perdas financeiras em cotações.

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