Coluna André Bona

Como investir em um cenário de queda dos juros no país?

A taxa básica de juros Selic já estava, há muito tempo, no radar de quem investe em títulos públicos. Os recentes anúncios de corte na taxa, no entanto, fizeram com que ela virasse o centro das atenções de boa parte dos investidores.

Afinal, com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de reduzir a Selic para 6% ao ano, em julho de 2019, a taxa básica de juros alcançou o seu menor patamar histórico. E novos cortes poderão ocorrer adiante.

Mas o que isso realmente representa para o investidor? Como investir em um cenário de queda dos juros? São muitos questionamentos que ainda pairam sobre a cabeça de muitos investidores.

Neste artigo, quero lhe ajudar a tirar suas dúvidas e, principalmente, a investir do jeito certo. Acompanhe!

A Taxa Selic

SELIC é acrônimo de “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”. Trata-se de um sistema informatizado que armazena informações referentes aos títulos Públicos Federais.

Quando falamos em Taxa Selic, estamos nos referindo a uma taxa básica de juros da economia do país. Ela é extremamente importante, uma vez que dela derivam diversas outras taxas, como juros de empréstimos, investimentos e financiamentos.

O governo utiliza a Taxa Selic para controlar os índices de inflação – como uma forma de frear ou acelerar a economia.

Na prática, significa dizer que, quando temos uma Taxa Selic alta, os juros dos financiamentos e empréstimos aumentam. Por consequência, há menos procura por bens e serviço, desestimulando o consumo e favorecendo a queda da inflação.

Já quando a situação é oposta, isto é, a taxa de juros cai (como o que está acontecendo agora), os empréstimos e financiamentos ficam mais viáveis, incentivando a produção e o consumo. Nesse caso, há uma certa redução no controle da inflação – que tende a evoluir.

Perceba, portanto, que um cenário de juros baixos é fundamental para a manutenção da inflação no patamar estimado pelo governo e para o crescimento da economia. Afinal, nesta situação, a tendência é termos mais dinheiro circulando, certo?

Quem toma a decisão de reduzir ou aumentar a taxa Selic é o COPOM (Comitê de Política Monetária) que, a cada 45 dias, se reúne para determinar o piso de juros anual.

Taxa Selic e os investimentos

Você compreendeu que o aumento ou a redução da Taxa Selic é uma medida necessária para controle da inflação. Agora quero mostrar a relação entre a Taxa Selic e os investimentos em títulos públicos.

Quando emprestamos dinheiro para o governo (ou seja, investindo no títulos do Tesouro), ele nos disponibiliza papéis da dívida pública. De maneira bem simples, as pessoas realizam seus investimentos e o governo, por sua vez, devolve o dinheiro investido, acrescido de um determinado valor, após um determinado período.

O mesmo ocorre com títulos privados de renda fixa, como os CDBs, LCIs, LCAs, entre outros – que, geralmente, remuneram o investidor a partir de um percentual da taxa CDI, que acompanha a Selic de maneira bastante próxima.

Esses acréscimos – as rentabilidades – destes investimentos têm, portanto, a Taxa Selic como base. Sendo assim, quando um investimento está atrelado à Selic (ou ao CDI), o rendimento dependerá da taxa de juros definida pelo COPOM.

Quanto maior for a Selic, mais rendimento terá a aplicação. E o contrário também é verdadeiro.

Como investir em um cenário de queda de juros?

É neste contexto que surge uma dúvida comum entre os investidores: então, investir em um cenário de queda nos juros será sinônimo de perda? Não para quem sabe investir.

Para investidores com maior apetite ao risco, a queda da Selic favorece o mercado de ações. Aos que não conhecem muito bem o funcionamento da bolsa de valores, aplicar em fundos de ações pode ser também uma boa alternativa.

Quando o assunto é investimento em bolsa, há também os ETFs. São fundos de índice indicados para quem procura por facilidades e diversificação ao investir no mercado de ações.

Outra opção para investir em um cenário de queda dos juros – especialmente para aqueles que buscam por investimentos mais seguros – é apostar em renda prefixada. Isso porque, como expliquei em outra oportunidade, travar um investimento em renda fixa prefixada evita que ele perca rentabilidade.

Exemplos de investimento em renda prefixada incluem: Tesouro prefixado, Tesouro IPCA+, CDB, LCI, LCA, LC etc.

A única atenção que devemos ter com as rendas prefixadas está relacionada à prefixação das taxas quando a Selic está muito baixa. Caso haja alguma modificação no mercado e a Selic volte a subir, o investimento permanecerá prefixado numa taxa baixa.

Por isso, gosto de dizer que o melhor momento de prefixar é anteriormente ao movimento de queda de Selic – ou no seu início.

Para investidores que desejam diversificar seu portfólio de maneira simples e contar com uma gestão e administração profissional para a escolha dos investimentos, os fundos multimercados também são opções a se considerar em um cenário de queda dos juros.

Concluindo

É sempre possível investir em um cenário de queda dos juros. Mais do que isso: é possível melhorar a rentabilidade das suas aplicações.

Independentemente de qual sejam suas escolhas de investimentos, é importante conhecer o perfil do investidor e saber se seus objetivos com os aportes são de curto, médio ou longo prazo.

Como gosto de destacar, investir é um meio pelo qual os objetivos da vida real podem ser alcançados.  Estar atento ao mercado financeiro e suas taxas é importante. Todavia, tenha em mente que todo investimento busca atender às necessidades reais na vida de um investidor.

Por isso, um investimento pode ser classificado como bom ou ruim de acordo com os seus objetivos de vida. Pense sempre nisso antes de tomar suas decisões de investimento – independentemente de cenários internos ou externos.

 

 

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