Como funciona o investimento em ações?

A primeira coisa que um investidor deve ter em mente ao tomar a decisão de investir em ações, é saber claramente diferenciar o tipo de risco a que se expõe e por isso é importante traçar um comparativo com a renda fixa.

A renda fixa é caracterizada por empréstimos onde um investidor vai emprestar dinheiro para alguém (governo, banco ou empresa) e receberá por isso o seu capital acrescido de juros ao final de um período. Esses juros são previamente acordados no momento do investimento, podendo ser prefixados ou pós-fixados atrelados a um índice, como o CDI ou o IPCA. O investidor em renda fixa é um CREDOR do governo, do banco ou de uma empresa. Ou seja: o emissor do título onde o investidor aplicou é um DEVEDOR.

Já o investimento em ações possui uma característica diferente: o investidor não empresta dinheiro para ninguém. Ele se torna sócio de uma empresa. Dessa maneira, não há obrigatoriedade nenhuma de que a empresa garanta nenhuma taxa previamente acordada de remuneração para o seu capital. O retorno vai depender exclusivamente da performance da empresa e da lucratividade que ela conseguir obter dentro do setor onde atua.

Seria como se o seu amigo fosse montar uma pizzaria e lhe dissesse:

“Fulano, estou abrindo uma pizzaria e gostaria de te pedir um empréstimo de 200 mil para completar o investimento”.

Observe que nesse caso o seu amigo está pedindo um dinheiro emprestado e vai combinar com você qual será a remuneração para esse dinheiro independente do negócio dele ser bem sucedido ou não. Você será um CREDOR do seu amigo e se a pizzaria não der certo, ele continuará te devendo. Neste caso, trata-se de um investimento similar ao da renda fixa.

Por outro lado esse mesmo amigo poderia dizer:

“Fulano, estou abrindo uma pizzaria e gostaria de te convidar para ser sócio. Acho que nesse local tem um movimento muito bom e poucas pizzarias. Que tal se você entrar com 200 mil e ser dono de 20% da pizzaria?”

Neste outro caso, você não se tornará CREDOR do seu amigo. Você compartilhará os riscos associados ao negócio e receberá um percentual dos lucros que forem obtidos. Se tudo der errado, você perde seu investimento. Se tudo der certo, você terá uma excelente lucratividade. Trata-se, portanto, de um investimento similar ao investimento em ações, pois você participará do risco do negócio.

 

O que é uma ação?

Ação é a menor parte de uma empresa.

Cada empresa possui uma quantidade de ações emitidas e os acionistas (sócios / donos) possuem cada qual uma quantidade de ações da companhia, que corresponderá à sua participação proporcional no negócio. Portanto, ao investir em ações você se torna um dono de um pedaço de uma companhia e estará naturalmente exposto aos resultados que essa companhia obtiver em seu mercado.

 

Todas as empresas tem ações?

Não. Existem diversos tipos de empresas.

 

Existem aquelas empresas menores, que são chamadas sociedades limitadas, onde os sócios são denominados cotistas. Essas não possuem ações, mas sim, cotas. E existem aquelas empresas maiores, que são as S/A – Sociedade Anônima – onde aí sim, todas elas possuem ações e os acionistas (donos) são os proprietários dessas ações.

Existem as S/A de capital fechado, cujas ações não são negociadas em bolsa de valores e existem as S/A de capital aberto, cujas ações são negociadas em bolsa permitindo a qualquer investidor tornar-se um acionista.

 

E para que as empresas abrem o capital?

As empresas S/A de capital fechado quando optam por se transformarem em empresas de capital aberto o fazem para atrair mais sócios, captar mais dinheiro e expandir suas atividades.

Talvez você se pergunte: “Mas André, se a empresa é lucrativa, porque ela precisa captar mais recursos para expandir? Ela não tem capital suficiente para isso?”

Vamos voltar a história da pizzaria do seu amigo. Pense que essa história de fato aconteceu e 10 anos atrás ele te pediu um dinheiro, mas você optou por não emprestar. Pois bem. Passados 10 anos, ele se mostrou um excelente empresário e hoje possui uma rede de 100 pizzarias em várias cidades do Brasil. Por isso a empresa dele, já há um tempo atrás, deixou de ser limitada e passou a ser uma S/A de capital fechado.

No entanto esse seu amigo, que se mostrou um habilidoso empresário ao longo do tempo, resolveu que pode crescer sua rede para 1.000 pizzarias espalhadas pelo Brasil em mais 5 anos e tem todo o planejamento pfeito.

Para isso ele precisará de mais capital. Então ele elaborou um plano em que utilizará parte dos recursos proveniente dos lucros acumulados pela empresa, poderáuma outra parte emitindo dívida por meio de debêntures e, por fim, atraindo novos investidores como sócios (acionistas) de sua empresa.

E o caminho para atrair esses novos sócios, será por meio da realização de um IPO (oferta pública inicial de ações) de sua empresa na bolsa de valores.

Resumindo, uma empresa pode abrir o seu capital para atrair recursos para sua expansão sem se endividar em excesso e ofertando a oportunidade de investidores se tornarem sócios do empreendimento.

É importante lembrar que esse é um exemplo meramente didático, ok?

 

Mercado primário e mercado secundário

Quando é feito um IPO, o dinheiro investido pelos investidores com a colocação das novas ações será destinado à companhia. Ou seja, vai direto para o caixa da empresa para que ela possa expandir suas atividades. A isso chamamos de mercado primário.

Uma vez que todas as ações adquiriras pelos investidores no IPO sejam registradas em seus nomes, elas ficam disponíveis para negociação no pregão da bolsa.

Os investidores podem, então, vender suas ações para outros investidores. Observe portanto que, nas negociações na bolsa, o dinheiro das compras e vendas de ações não vai mais para a companhia. Ele circula entre os investidores que vão vendendo e comprando suas ações uns dos outros. A isso chamamos de mercado secundário.

 

A importância da bolsa para a economia

O mercado de capitais é importantíssimo para o desenvolvimento econômico de um país. Por meio do investimento em ações, investidores fomentam recursos para a expansão da atividade produtiva, geração de emprego e renda, o que gera um ciclo virtuoso.

Não por acaso, todos os países desenvolvidos possuem uma cultura de investimento em ações mais disseminada na população e um mercado de capitais mais fortalecido.

Uma vez compreendidos os conceitos básicos que cercam o mercado de ações e sua importância, você estará mais preparado para seguir seu aprendizado e, quem sabe, se tornar um investidor em ações!

Andre Bona
André Bona:

André Bona é educador financeiro, criador do Blog de Valor - site de educação financeira independente - e possui mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro tendo auxiliado milhares de investidores a investirem melhor seus recursos.

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