Mercado Imobiliário: o que você precisa saber

Em junho, a taxa de financiamento imobiliário se manteve em TR + 10.5-11% ao ano, mesmo tendo em vista o ciclo de queda da taxa de juros no Brasil.  Nas conversas recentes com os bancos, a contínua queda na “poupança” e um cenário macro deteriorado ajudaram manter a taxas de juros dos créditos habitacionais constantes. Segundo a Abecip, as novas concessões de crédito para o setor de construção civil (financiamento imobiliário + financiamento a construção) diminuíram 9% em maio comparado ao mesmo período do ano passado. Analisando a conjuntura atual, achamos que o setor demorará algum tempo até se recuperar (somente em 2018).

Bancos mantêm as taxas de financiamento imobiliário em junho

Os principais bancos brasileiros – Caixa, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander – mantiveram a taxa de financiamento praticamente inalterada em junho. Baseado na nossa pesquisa, Caixa ainda mantém a menor taxa de juros, cobrando TR + 10,5% ao ano, e o Banco do Brasil a mais alta, em torno de TR + 11%.

A análise é uma simulação baseada na compra de um imóvel residencial de R$500.000 em São Paulo para indivíduos com ganho mensal de R$10.000,00.

E agora…

O crédito mais caro, tanto para construtores quanto para compradores, é um grande problema para a negociação de imóveis. Os bancos mantiveram as taxas de financiamento altas devido baixa disponibilidade de crédito (diminuição da poupança nos últimos 2 anos) e pela deterioração na qualidade do crédito (aumento do desemprego, aumento da inadimplência e etc.). Mesmo no atual cenário de redução na taxa básica de juros, acreditamos que o impacto nas taxas de financiamento deve demorar ainda algum tempo.

Gráfico 1 | Taxa de juros cobradas em um financiamento habitacional em São Paulo (taxa de juros + TR)

mercadoimobiliário_boletim06.07
Fonte: Bradesco, Itau, BB, Santander, CEF e BTG Pactual

Créditos concedidos pelo SBPE caíram 8,6% em maio, segundo Abecip

A concessão de créditos para o setor imobiliário sob o SBPE caiu 8,6% em maio, chegando no patamar de R$3,56 bilhões (ou 14.600 unidades), segundo a Associação Brasileira das Entidades de Credito Imobiliário e Poupança (Abecip).

E agora…

Dados negativos para o segmento de alta e média renda, tanto para construtores e imobiliárias. Como já falado, a recuperação do crédito imobiliário deverá demorar ainda algum tempo.

Gráfico 2 | Concessão de crédito pela SBPE

mercadoimobiliário_boletim06.07(2)
Fonte: Bradesco, Itau, BB, Santander, CEF e BTG Pactual

Preço de venda e aluguel de imóveis comerciais cai 0,43% e 0,49%, em maio

O índice FipeZap para a venda e aluguel de imóveis comerciais decresceu 0,43% e 0,49% em maio com relação ao mês de abril. Em doze meses, os preços de venda e de aluguel caíram 4,17% e 5,82%, respectivamente, comparando com o mesmo período nos doze meses anteriores.

Em São Paulo, os alugueis diminuíram 0,56% mês a mês e os preços dos imóveis comerciais caíram 0,05%. No Rio de Janeiro, o cenário foi ainda pior, a queda no aluguel e no preço dos imóveis comerciais foram de 0,74% e 1,57% mês a mês, respectivamente. Como consequência, a taxa de retorno de aluguel permaneceu baixa: 4,9% ao ano no Rio de Janeiro e 5,8% ao ano em São Paulo.

E agora…

Dados negativos para empresas que investem em imóveis e incorporadoras de salas comerciais. Acreditamos que o mercado de imóveis voltados para escritórios é bem desafiador, com uma vacância acima de 20% em São Paulo e 30% no Rio de Janeiro.  Continuamos com uma visão negativa para o setor, dado a possível demora de realizar a venda do estoque de imóveis voltados para esse nicho.

Gráfico 3 | Variação mensal dos preços dos imóveis comerciais no Rio de Janeiro e em São Paulo

mercadoimobiliário_boletim06.07(3)
Fonte: Zap Imóveis, RAIS/MTE e BTG Pactual

Glossário

SBPE: Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. Método de financiamento o qual os banco e instituições financeiras utilizam os recursos captados pela poupança para realizar empréstimos. Nesse tipo de empréstimo, o solicitante pode possuir imóveis em seu nome, não há limite de renda e o financiamento pode ser feito dentro ou fora do Sistema Financeiro de Habitação.

Abecip: Associação Brasileira das Entidades de Credito Imobiliário e Poupança.

SFH: O SFH é o Sistema Financeiro da Habitação criado e regulamentado pela lei nº4.380, de 21 de agosto de 1964. Ele rege a maioria dos financiamentos imobiliários que ocorrem no país. Emprega recursos das contas de poupança, ou repassados pelo FGTS, no financiamento da aquisição e construção de imóveis residenciais.

SFI: O SFI é o Sistema de Financiamento Imobiliário criado e regulamentado pela lei nº9.514, de 20 de novembro de 1997. Ele rege os financiamentos imobiliários que ocorrem fora das regras do SFH no país. A principal fonte de recursos do SFI são os grandes investidores institucionais, que possuem expressivos ativos, não só no Brasil, como em outros países: fundos de pensão, fundos de renda fixa, companhias seguradoras e bancos de investimento.

Deixe seu comentário 1

  1. O país encolheu muito e não vai crescer tão cedo. É como se tivéssemos uma fábrica para produzir para 200 mi de pessoas e só temos 50 mi para comprar produtos. Metade da população ativa do país tem restrições de crédito e não é seguro conceder crédito para remuneração informal.