Menor turbulência política abre espaço para a recuperação econômica

Com Temer tendo garantido sua permanência na Presidência, esperamos dias mais calmos em Brasília daqui para frente. Mesmo assim, ainda é difícil crer que o governo terá forças para aprovar reformas cruciais, como a da previdência, antes do final de seu mandato. Além do mais, a cada dia o debate sobre as eleições de 2018 (com destino completamente incerto) começa a ganhar força e se tornar o centro das atenções. Do lado positivo, podemos finalmente dizer que a economia começa a dar sinais mais consistentes de melhora.

Dito isso, com o cenário político menos turbulento e os sinais claros de melhora na economia, estamos mais animados com o mercado de renda variável. Para aqueles que já tem exposição, acreditamos que o momento é de aumentar o risco da carteira e reduzir a exposição ao dólar.

Dados macro: recuperação em andamento

Se, no início, muitos (inclusive nós) temiam que a delação da JBS pudesse atingir (e atrasar) a recuperação ainda incipiente da economia brasileira, poucos ainda acreditam nessa possibilidade agora.

Os dois principais riscos que enxergávamos – potencial impacto inflacionário do choque, consequências negativas que poderiam atingir o ritmo de queda de juros e aumento da incerteza, atrapalhando a retomada do consumo e investimentos – não se materializaram.

Na verdade, com o Real se fortalecendo contra o dólar e o impacto contracionista do aumento da incerteza (trazido pela delação), abriu-se espaço para uma queda ainda mais acentuada dos juros.

Entendendo isso, na semana passada, o BC decidiu reduzir a taxa Selic em mais 100 pontos base, para 9,25%, contemplando ainda na ata, divulgada após a decisão, a possibilidade de mais uma queda de 100 pontos base no próximo encontro. Uma mensagem claramente dovish (baixista), na direção de maior afrouxamento monetário, que fez com que investidores mais uma vez revisassem suas estimativas para a taxa SELIC ao final de 2017 e 2018. Nosso time Macro, por exemplo, espera agora que a SELIC chegue a 7.5% ao final de 2017 e permaneça nesse nível ao longo de 2018 (vs. 8.0% anteriormente).

…e os sinais de melhora vem de todos os lados

Em junho, a taxa de desemprego com ajuste sazonal caiu pelo terceiro mês consecutivo para 12,9%, após atingir seu pico de 13,2% em março, impulsionado pela melhora vindo do mercado informal.

No mercado formal, a melhora também é clara. Olhando para os dados com ajuste sazonal, apenas 8,2 mil vagas de emprego foram fechadas em junho, contra 12,6 mil em maio e 35 mil em média por mês desde o começo do ano.

E com a inflação sobre controle, os salários reais continuam a crescer. Em junho, a massa salarial total teve sua quinta alta consecutiva, acumulando aumento de 0,9% desde janeiro.

Os índices de confiança também já demonstram melhoras. Em julho, o índice de confiança do empresariado cresceu 1,3 pontos, voltando ao ritmo de alta iniciado em meados de 2015. Já o índice de confiança dos consumidores manteve-se estável, após queda de 1,9 pontos em junho.

Com relação a intenção de compra dos consumidores, que talvez seja até mais importante que o índice de confiança dos consumidores para o varejo, ela segue melhorando e hoje já se encontra 15,2 pontos acima dos níveis de junho de 2016 – quando atingiu sua mínima histórica.

Na nossa visão, esse tem inclusive sido um fator importante por trás da melhora das vendas no varejo medidas pelo IBGE. Itens discricionários como vestuário, eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, mesmo com volatilidade (o que é natural) tem mostrado sinais claros de recuperação.

Por fim, a venda de veículos também tem acelerado. Em junho, a Fenabrave reportou um aumento de 5% ao mês na venda de veículos (com ajuste sazonal). O volume de vendas já está 20% acima do nível de janeiro.

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