A incerteza é a nova norma

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Após os últimos acontecimentos no cenário político brasileiro, é esperado um longo período de incerteza. Fica claro que, independentemente da saída ou permanência do presidente Michel Temer, as chances de aprovação da reforma da previdência antes das eleições de 2018 foram reduzidas de forma substancial. Isso porque tanto Temer, enfraquecido politicalmente após os eventos da semana passada, quanto um possível substituto eleito indiretamente, provavelmente não terão o apoio político para uma reforma tão impopular.

Para o mercado, eleger um presidente de maneira indireta seria o melhor cenário. Isso porque ele já poderia contar com maior apoio no Congresso e estaria mais próximo de conseguir a aprovação de reformas menos polêmicas, como a trabalhista. A opção de eleições diretas no atual clima de incerteza política e com o país dividido poderia levar a resultados imprevisíveis. Essa seria o cenário mais arriscado.

Apesar das revelações terem um impacto direto no governo do presidente Temer, elas afetam políticos de diversos partidos. Muitos dos afetados eram possíveis candidatos à presidência, incluindo líderes tanto ligados aos governo quanto a oposição. A expectativa de uma oposição enfraquecida anima alguns participantes do mercado, que vem na figura do novo prefeito de São Paulo, João Dória, um possível favorito para as eleições presidenciais de 2018. No entanto, outros candidatos “não-políticos”, e até mesmo inexperientes, podem surgir entre agora e as eleições.

Perspectivas negativas para a economia

A previsão agora é que o Real continue sob pressão e que a redução das taxas de juros medida pela Selic seja mais lenta, enquanto o crescimento econômico também se desacelera. A turbulência política pode ter um impacto negativo no investimento direto estrangeiro no país nos próximos anos.

Nos últimos meses, a perspectiva do consumidor e de empresas para a economia brasileira era positiva, mas agora é bastante provável que isso mude de direção, reduzindo a disposição de consumir e investir no Brasil. A expectativa anterior era de que os lucros das companhias domésticas subiriam para níveis elevados, chegando a crescimentos de 20% em 2017 e 18% em 2018. Para isso, foram considerados três pilares que podem ser alterados com essa nova crise: 1) a queda dos juros; 2) expectativas da melhoria da atividade econômica; e 3) controle de custo por parte das empresas.

Possíveis impactos na Bolsa de Valores

Em março, muitos investidores achavam que a reforma da previdência seria aprovada, impulsionando a economia a crescer novamente. Um modelo matemático otimista havia calculado a possibilidade da bolsa Ibovespa subir até mais de 40%. Porém, com a crise política, isso se tornou pouco provável. Um custo de capital mais elevado do que o originalmente previsto deve levar a um menor preço alvo para o Ibovespa.
Economicamente, a reforma da previdência é considerada muito importante para o balanceamento das contas do Estado. Caso contrário, a taxa de juros não poderá ser reduzida tão bruscamente e a confiança do consumidor e os investimentos podem desacelerar.

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