Copom corta taxa Selic mais uma vez: entenda o significado

Na última quarta-feira, o Copom decidiu por cortar a taxa Selic em 100 pontos-base, conforme amplamente esperado pelo mercado e por nós mesmos.

O comunicado apresentado após a decisão foi atipicamente transparente sobre o plano de voo da política monetária no curto prazo, manifestando expressamente que “o Copom entende que uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado ontem deva se mostrar adequada em sua próxima reunião.” Esse uso da palavra “moderada”, em “Coponês”, é geralmente interpretado como indicativo de uma mudança de ritmo em 25 pontos-base, apontando, portanto, para uma redução de 75 pontos-base na reunião de julho (algo que nós já esperávamos).

Em relação ao orçamento total de corte de juros, o comunicado agora diz que, assumindo que a taxa Selic atinja 8,5% no final do ano (em linha com o consenso de mercado), a previsão condicional do IPCA de 2018 é de 4,6% – ou seja, levemente superior à meta de 4,5%. Na ata da reunião de abril, essa previsão condicional do IPCA, considerando a mesma Selic terminal de 8,5%, situava-se em 4,5%; o relatório de inflação de março, por sua vez, já havia apontado para uma suave elevação acima da meta em 2019, mas esse aspecto não vinha sendo muito ressaltado pela autoridade monetária desde então. Um incremento na previsão para 2018 tal como relatado ontem é convencionalmente interpretado como um alerta gentil de que, a menos que algum acontecimento posterior cause uma revisão baixista nas projeções condicionais do IPCA, 8,5% talvez já seja um patamar terminal ambicioso demais para a taxa Selic.

Tendo em vista estas ponderações, estamos reestabelecendo por ora a nossa estimativa anterior de que a taxa Selic terminará o ciclo de cortes em 8,5%, em vez dos 8,25% para os quais havíamos relutantemente migrado no início de maio, no mesmo momento em que admitimos que a decisão de ontem, não fosse pelo choque político de duas semanas atrás, encaminhava-se para um corte mais ousado, de 125 pontos-base. Para compatibilizar o corte de 75 pontos-base quase telegrafado para a reunião de julho com o patamar terminal de 8,5% para a taxa Selic, revisamos o corte esperado na reunião de setembro de 75 para 50 pontos-base e mantivemos nossa estimativa de um corte final em 50 pontos-bases em outubro.

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